Enói Simão Nogueira da Cruz

Cadeira 28

Enói Simão

Enói Simão Nogueira da Cruz nasceu em Itapecuru Mirim no povoado Cantanhede, interior do Maranhão, no ano de 1908. Filha do libanês Paulo Antônio Simão com a descendente de portugueses Celina Rodrigues Simão recebeu, em regime de internato, uma sólida formação cultural no Colégio Santa Tereza, na capital maranhense.

Após os estudos, retornou à cidade natal. Casou-se em 1934 com Raimundo Nogueira da Cruz de tradicional família itapecuruense com o qual teve seis filhos.

De volta a São Luís, Enói colaborou com vários jornais locais firmando-se como jornalista, cronista e poeta, num tempo em que o destino possível reservado à mulher era o matrimônio e a maternidade. Por isso e para proteger-se do preconceito com as raras mulheres que ousavam contrariar tal destino, como a amiga Mariana Luz, Enói adotou o nome literário de “Márcia de Queiroz”. Assim, dos anos 20 aos anos 50 assinou, com este pseudônimo, toda sua produção literária em verso e prosa. Intelectual politizada, atuante e de esquerda, transmitiu aos filhos sua paixão pelas artes, seu interesse pelas causas sociais e sua indignação contra os desmandos políticos, no Maranhão.

Teve importante participação na campanha política em prol das Oposições Coligadas, em 1950. Concorreu ao Prêmio Cidade de São Luís, em 1957, no qual foi agraciada com uma Menção Honrosa. Dentre seus escritos, destaca-se o soneto Exaltação.

Uma das filhas de Enói, Arlete Nogueira da Cruz, tornar-se-ia, precocemente, uma grande escritora brasileira. Segundo Arlete: “Suas crônicas refletiam sobre o cotidiano da cidade e sua poesia, predominantemente de sonetos parnasianos, desvelava a alma romântica, delicada e insatisfeita de quem tinha inerente, o zelo técnico sobre a prosa e o verso, próprios do parnasianismo”. Os seus poemas foram publicados com regularidade no jornal Trabalhista, do jornalista João Rodrigues, de Itapecuru Mirim.

Em 1969, Enói Simão faleceu no Rio de Janeiro. Autora do livro, Poemas, organizado e publicado pela filha, Arlete, em l993, numa homenagem póstuma à mãe.

Fonte: Jucey Santos