Patronos - AICLA

01 – Mariana Gonçalves da Luz
02 – José Ribamar Fiquene
03 – Apolinário da Silva Fonseca
04 – Raimundo Nonato Coelho Neto
05 – Joaquim Gomes de Sousa
06 – Raimundo Públio Bandeira Melo
07 – Maria das Dores Cardoso
08 – Graciete de Jesus Cassas e Silva

09 – Astor Cruz Serra

10 – João Batista Pereira dos Santos
11 – José Cândido Morais e Silva
12 – Carlos Bezerra
13 – Manfredo Viana
14 – Luís Gonzaga Bandeira de Melo
15 – Juvenal Nascimento de Araújo
16 – Raimundo Nonato Rod. de Araújo
17 – Cônego José Albino Campos Filho
18 – João da Silva Rodrigues
19 – Antônio Olívio Rodrigues
20 – João Francisco Lisboa
21 – Feliciano Carlos da Costa Lopes
22 – Osman dos Santos Coelho
23 – Maria José Lopes Martins
24 – Lili Bandeira
25 – Joaquim Henrique de Araújo
26 – Manuel Viriato C. B. do Lago
27 – Antonio Henriques Leal
28 – Enói Simão Nogueira da Cruz
29 – Salomão Fiquene
30 – Leonel Amorim de Sousa
31 – Romão Souza Rosa
32 – João da Cruz Silveira
33 – Orlando Lago Mota
34 – Raimundo Nonato Coelho Nahuz
35 – Raimundo Nonato Ferraz
36 – Newton Carvalho Neves
37 – Raimundo Nonato Buzar
38 – Bernardo Thiago de Matos

39 – Bertulino Campos

40 – Cosme Bento das Chagas

CADEIRA Nº05

 JOAQUIM GOMES DE SOUSA

Filho de Antônia de Brito Gomes de Souza e Inácio José de Souza, Joaquim Gomes de Souza, apelidado em menino de “Souzinha”, nasceu em 15 de fevereiro de 1829 na Fazenda Conceição, localizada às margens do rio Itapecuru (MA), onde a família residia e enriquecia com o cultivo do algodão. Convém assinalar que nessa época a província do Maranhão passava por período de notável progresso e prosperidade econômica, o que permitia, a muitos senhores, o luxo de mandar seus filhos à Europa, a Pernambuco ou ao Rio de Janeiro, de onde voltavam doutores e bacharéis nas leis, filosofia, medicina e matemática.

“Souzinha” realizou seus primeiros estudos em São Luís. Foi então encaminhado, em 1841, para Olinda, com o irmão José Gomes de Souza, estudante de Direito, a fim de seguir-lhe o caminho acadêmico. Preparava-se para o exame de humanidades quando faleceu o irmão.

Novos rumos se apresentavam a Gomes de Souza que, por determinação de seus pais, ingressou, aos 14 anos, como cadete no primeiro batalhão de artilharia na Escola Real Militar do Rio de Janeiro. Porém, a falta de vocação para a carreira das armas levou–o, em 1845, a pedir permissão daqueles para trancar matrícula. Não fosse a interferência de Tiago José Salgado, parente da família, para mantê-lo no Rio de Janeiro, Gomes de Souza teria retornado ao Maranhão, muito provavelmente para auxiliar o pai nas tarefas da fazenda.

A busca incessante de conhecimentos o impeliu a freqüentar a Faculdade de Medicina, onde o desejo de se aprofundar nos estudos das ciências físico-químicas e naturais o estimulara a estudar as Matemáticas com afinco e dedicação.

No ano de 1846 voltou a se matricular na Escola Militar e, em 1847, pediu autorização à direção da escola para realizar o exame de todas as cadeiras que faltavam para concluir o curso da Escola Militar. Alguns professores e colegas não acreditavam que ele obteria aprovação. Alheio a tais opiniões, Souza debruçou-se sobre a elaboração de sua tese, Dissertação sobre o Modo de Indagar novos Astros sem Auxílio das Observações Diretas. Nela, ele se propôs indagar a possibilidade de existência de algum astro a partir, unicamente, da perturbação por ele causada no comportamento de outro astro já conhecido. Esse método – que, vale lembrar, é bastante utilizado hoje pela Astronomia – dispensava o auxílio de aparelhos óticos.

Assim, aos dezenove anos de idade e já se mostrando íntimo de equações trigonométricas, séries, derivadas e integrais, defendeu sua tese a 14 de Outubro de 1848. Colara o almejado grau de doutor em Ciências Matemáticas tornando–se o primeiro aluno da Escola Militar a obtê-lo.

Após a conclusão e defesa de sua tese e com o objetivo de recuperar a saúde fragilizada, viajou para a fazenda onde tinha nascido. Todavia ali, não afundou-se, abatido, na cama, ao contrário, dedicou-se ao estudo dos idiomas alemão e italiano, lendo filósofos alemães e obras literárias em italiano.

Passaram-se seis meses até que retornar ao Rio de Janeiro e reassumir, em julho de 1849, suas funções de professor na Escola Militar.

O ano de 1850 foi marcado pela publicação de dois trabalhos na então renomada Revista Guanabara: Resolução das Equações Numéricas e Exposição Sucinta de um Método de Integrar Equações Diferenciais Parciais por Integrais Definidas e tal paixão pelas ciências matemáticas motivou Gomes de Souza a viajar em 1854 do Rio de Janeiro para a Europa, onde teve a oportunidade de visitar os principais centros de pesquisa da França, Alemanha e Inglaterra.

Na Alemanha encontrou Antônio Gonçalves Dias (1823-1864), poeta maranhense da escola literária romântica, com quem trocou idéias sobre a antologia poética que estava organizando e que seria publicada anos mais tarde.

Encontrava-se naquele país ao receber o comunicado de ter sido eleito pelo Rio de Janeiro. Antes, porém de sua volta ao Brasil para ocupar a cadeira de deputado, resolveu viajar para Londres com o objetivo de contrair matrimônio com Miss Rosa Edith, filha do pastor anglicano Reverendo Humber. Não teve sucesso no novo ofício e a profunda decepção encontrada na política contribuiu para o abalo de seu estado físico.

Ainda assim, em 1858, voltando à Europa para concluir trabalho de que fora incumbido como membro do legislativo, aproveitou sua estada em Paris para submeter-se aos exames na Faculdade de Medicina, onde defendeu tese e graduou-se doutor.

Não bastasse mais um título assistiu, no ano seguinte, à publicação, em Leipzig, Alemanha, de sua Anthologie Universelle, Choix des Meilleurs Poesies Liriques de Diverses Nations dans les Langues Originales, Leipzig, F.A. Brocklins. Esta, refletindo o espírito ansioso de Gomes de Souza pela cultura, continha 944 páginas e apresentava uma aprimorada seleção dos mais celebrados trechos das poesias líricas e pequenos fragmentos de poemas épicos de vários povos, nas suas línguas próprias.

Mas a vida aproximava-se do fim. Abalado emocionalmente após a perda de sua esposa e filho e com a saúde física comprometida, Gomes de Souza faleceu no dia primeiro de junho de 1863.

Pode-se afirmar, sem riscos, que a obra de Gomes de Souza, além do seu valor intrínseco, tem ainda uma significação toda especial, pois representa o verdadeiro início da pesquisa matemática no país. Nele teve também o Brasil o seu primeiro matemático, na verdadeira acepção de quem é capaz de formular novos problemas e indicar o meio de resolvê-los. Extraordinário esforço de autodidatismo, produzido nas circunstâncias mais adversas, a sua vida lega-nos, por isso mesmo, um duplo interesse: não somente Souzinha foi o primeiro nome de vulto da matemática no Brasil – talvez o maior até hoje. Seu espírito reveste-se de uma complexidade e uma universalidade sem par, percorrendo numa verdadeira ânsia de saber os mais variados ramos da cultura.

 

 

 

BIOGRAFIA DE JOÃO BATISTA

João Batista Pereira dos Santos (para os amigos e familiares Godim, Titista ou apenas João Batista) nasceu no dia 24 de junho de 1963, em Pau Lumina, município de Itapecuru-Mirim – MA e faleceu em 02 de outubro de 1999. Era filho de Raimundo Gaudêncio dos Santos e Joana Pereiras dos Santos.

Fez o curso de 1º grau nas escolas Maria Gorete (antigo primeiro grau menor de 1ª a 4ª séries) e CEMA (antigo primeiro grau maior de 5ª a 8ª séries) em Itapecuru-Mirim, e o 2º grau no antigo Colégio Agrícola (Escola Agrotécnica Federal de São Luís – MA e atualmente IFMA São Luís Campus Maracanã), onde se destacou como aluno exemplar e orador oficial do grêmio estudantil nos momentos de solenidade escolar.  

Foi membro fundador do Grupo Teatral Noroeste, criado por Inaldo Lisboa em 1982. Com esse grupo, trabalhou como ator nas seguintes peças:

Povo de Araça   (de Inaldo Lisboa – 1982)

A preservação da Natureza (Texto de autor desconhecido – 1982)

Ainda em 1982, juntamente com Inaldo Lisboa, ajudou a transformar o Grupo Noroeste em Teatro Experimental Itapecuruense – TEIt, organização teatral que tinha como objetivo contribuir para o desenvolvimento cultural das manifestações artísticas da cidade.

No TEIt, João Batista trabalhou como ator, assistente de direção artística, dramaturgo, além de ter assumido vários cargos de direção executiva.                         

O seu trabalho foi notável nos seguintes espetáculos:

Teatrinho Xaxado (como ator e um dos autores da criação coletiva -1983)

Paixão de Cristo (como ator e adaptador – de  1984 a 1993, interpretando as personagens Judas e Pilatos, depois somente como Pilatos. Espetáculo de maior número de público e apresentações do grupo)

Caminho de Pedra Miúda (como ator e colaborador – 1988 e 1990, fazendo uma competente interpretação do professor João Silveira)

Além do exercício de ator, João Batista gostava de escrever. São de sua autoria os seguintes poemas:

Lavadeira  (feito em homenagem a sua mãe, por quem ele tinha grande admiração)

Rio Itapecuru  (obra dedicada ao rio em que ele banhara tantas vezes na sua infância).

O trabalho em teatro e a aplicação aos seus estudos lhe renderam a profissão de professor. Por várias vezes lecionou em Escolas de Itapecuru, dentre elas: Mariana Luz, Leonel Amorim e Newton Neves.

Paralelamente ao seu trabalho em teatro, ele foi um católico praticante desde a adolescência, quando fez a primeira comunhão e começou a frequentar a igreja sistematicamente. Gostava de fazer a leitura das missas celebradas pelo Padre Benedito (pároco de Itapecuru durante muitos anos), por quem tinha muito apreço.

Sua voz grave, suave, inconfundível e carregada de empolgação, abrilhantava o coro da igreja nos domingos e nos dias festivos da paroquia.

Também participou ativamente de vários movimentos da paróquia como integrante do Grupo de jovens JUSF (Jovens Unidos Semeando Fraternidade) e outras realizações da pastoral. Essa experiência fez com que ele influenciasse seu irmão Renato a seguir seus passos como orador.

Em 1992, casou-se com Jobenice de Souza Prado dos Santos. O casal teve dois filhos, João Alves Prado Neto e Sarah Prado dos Santos.

Outra grande paixão de João Batista era o futebol. Foi torcedor de carteirinha do clube de regatas Flamengo e durante muito tempo foi jogador, depois passou a se dedicar a função de árbitro em vários jogos amadores e campeonatos municipais e intermunicipais. Foi numa partida de futebol que aconteceu o acidente que lhe tirou a vida.

Trabalhava como escrivão no cartório do 3º ofício, acumulando também a função de escrivão eleitoral do cartório da 16ª zona eleitoral.

João Batista sempre foi um filho, um irmão e um amigo muito querido. Na cidade de Itapecuru seu nome é sinônimo de intelectual e pessoa querida do povo. A sua presença inspirava bom humor, fraternidade e, sobretudo, eloquência. 

Certamente é assim que ele será lembrado. E assim se passaram trinta e seis anos.    

Inaldo Lisboa, 06.10.99

 

LAVADEIRA

Poema de João Bastista Pereira dos Santos

 

Tu que lavas, velha guerreira

Alegre, cantando, púrpura fina

Subindo e descendo ias tu na ladeira

Samaritana, cândida, és linda

 

Cores! Que cor era teu quintal

Artista, exposição, que beleza

Enfeitas inesquecível varal

E como deusa era tua leveza

 

Tuas mãos meigas, suaves e perfeitas

De magia invejável, era sim

Qual a fonte, me diz, que rejeita

O magistral perfume das roupas, jasmim

 

Vivas, prêmio nobel, que lição

Heroína imortal, filha da emoção

Quem aquele que não se curva ao teu trono?

 

Tua arte é uma fonte, que brancura

Que moldará teu descanso, flores puras

E não te legou, ó lavadeira, te amo.

 

RIO ITAPECURU

Poema de João Batista Pereira dos Santos

 

Rio caminho boiada

Alegria de banhistas eufóricos

Descanso, eterna morada

De heróis que não quiseram morte

 

Caudaloso e brisa suave

Pescando ou descendo a rampa

Tens histórias e cantos de aves

És belo como criança

 

Correntezas que levam saudades

De eternos cantos poéticos

Igual fêmea, que ansiedade

Em núpcias à baia de São José

 

Tens riquezas em tua profundeza

Que coronéis deixou com tristeza

Pensando que não seria eternidade, tu

 

Das brincadeiras que em ti fazia

Da delicadeza que de ti jazia

Eu te adoro Rio Itapecuru

 

EXALTAÇÃO A ITAPECURU

Exalto-te, cidade de meu coração

Panteon de grandes vultos imortais

De estandarte e vitória na mão

Tu serás lembrada em cantos magistrais.

 

Enalteço-te e enamoro-te sempre que posso

Tuas ruas, praças e egrégios pitorescos pontos

Em pacatez, lépido, rumo ao progresso eu gosto

Desse lendário e invejável encanto.

 

Sedento em tua morada, orgulhoso sou sim

Crescemos, envaidecemos…somos sempre assim

Ontem. Hoje. Amanhã…Serás sempre tu.

 

Das idas e voltas que eu fizer

Da vida à morte, se Deus quiser

Ainda me sobrarão forças para gritar: Viva minha Itapecuru!  

 

Obras sobre o Patrono

Carlos Bezerra sempre presidente da sessão eleitoral número 1 de Itapecuru-Mirim. Ele nasceu em 04 de novembro de 1897. Desde os 17 anos atuava como músico profissional da Banda de Sebastião Pinto. Alfaiate de renome, também era maestro e professor voluntário de instrumentos de sopro. Criador da banda Lira Ideal, e compositor de diversas sinfonias, ele era o responsável pela animação de festas, retretas, apresentações em coretos no Largo da Igreja Matriz, além de passeatas, solenidades políticas, alvoradas e eventos cívicos e religiosos, em especial o Festejo de Nossa Senhora das Dores. Fazia trabalhos assistencialistas nos povoados, e como Secretário da Câmara Municipal de Vereadores, baixou determinações, como o uso formal de trajes nas sessões legislativas, vigente até hoje.

Livros sobre Carlos Bezerra: 

MANFREDO VIANA
Patrono da cadeira nº 13 da Academia Itapecuruense de Ciências, Letras e Artes (AICLA). Itapecuru-Mirim, MA. Brasil.

Filho de imigrante branco, Português com uma ex-escrava chamada Raimunda Póvoas Viana.

Nasceu em 25 de setembro de 1891. Apesar de ter nascido em São Luís/MA, Manfredo Viana passou sua primeira infância na Vila de Guimarães, localizada numa área que, em 1758, pertencia à fazenda Guarapiranga, doada à Coroa de Portugal por José Bruno de Barros, transformada em município pela Lei Nº 885, de 23 de fevereiro de 1920. Voltou para São Luís ainda menino (conta um seus netos).

Estudou em escolas públicas na capital. Seus pais o internaram em um Seminário para seguir formação religiosa, o qual lhe rendeu conhecimentos além da língua portuguesa, também aprendeu o inglês, francês, espanhol e latim, tornando-se um exímio poliglota. Dominava o Aramaico, uma língua semítica da Síria, que chegou a ser universal, mas que atualmente só é falada em algumas zonas dessa região. Aproveitou para aperfeiçoar sua oratória, mas sem vocação para ser padre, deixou o Seminário em 1910

Poeta, passou a frequentar com muita habilidade as agremiações literárias de São Luís que nesse período estava em alta

Em 1913, prestou concurso para carteiro de segunda classe, ao mesmo tempo em que lecionava como professor temporário em escolas particulares. Em 1914, Manfredo Viana entrou para Escola Literária Gonçalves Dias, tornando-se orador oficial dessa Instituição (Pacotilha, 18/10/1914)

É nesse cenário que acontece a união conjugal entre Manfredo Viana e Adalgisa Nogueira da Cruz, professora de família abastarda descendentes de escravos libertos. Ela itapecuruense oriunda do povoado Oiteiro dos Nogueiras, família tradicional dos Bento Nogueiras. Este fato aconteceu em janeiro de 1915.

Ainda no início do ano de 1915, o casal foi enviado pelo Governo do Estado como professores para a Escola Mista de Barreirinhas, na cidade de Barreirinhas, Ma. Terminado o contrato, mudou-se para o Município de Coroatá com um novo contrato.

Em 1918, por meio de Portaria, emitida pelo Governador da época, Antônio Brício de Araújo, Manfredo Viana é novamente transferido, desta vez, para Itapecuru Mirim para dirigir uma escola para homens. (O Jornal, 27/2/1918)

Manfredo Viana contribui com a importante Revista Maranhense como colaborador correspondente por meio da agência da revista Literária de Itapecuru Mirim, a qual ele é o dirigente. Revista que chegou a ocupar o terceiro lugar em distribuição, perdendo apenas para as agências do Anil e da cidade de Grajaú. (Pacotilha, 11/5/1920)

Por determinação do Governo, retorna a Barreirinhas em 1921, dessa vez por um período bem menor. Volta a Itapecuru Mirim dessa vez, à disposição do governo municipal trabalhando juntamente com a professora Zulmira Fonseca. Em 1926, Manfredo volta à cidade de Guimarães, dessa vez com professor, transferido pelo governo do estado para a localidade chamada Cedral. Lá fica por seis anos.

Pelo Diário Oficial de 3 de agosto de 1933, Manfredo Viana retorna a Itapecuru Mirim nesse ano. Nesse período contribui com o Jornal Correio do Nordeste, de propriedade do itapecuruense Zuzu Nahuz, como colaborador.

Em Itapecuru Mirim foi nomeado como Funcionário Público Municipal, com a Formação profissional de Professor de Matemática, Português, Geografia, lecionando por 31 anos, passando pelos povoados de Outeiro dos Nogueiras, Cantanhede (cidade desde de 24/09/1952) e Areias (hoje povoado do município de Santa Rita).

Teve importante contribuição quando do SURGIMENTO DO ENSINO em Itapecuru-Mirim.

O ensino surgiu no município, entre o final século XIX ao início do século XX, por meio de escolas particulares, pelos professores Severo Castelo Branco, Thiago Ribeiro, Mariana Luz, Manfredo Viana, Almerinda Araújo, Zumira Fonseca, Professor Newton Neves, João Rodrigues.

Manfredo Viana fundou a Escola Santo Expedito, dirigida por sua esposa Adalgisa Nogueira Viana, que segundo Buzar, em seu livro “No Tempo de Abdala era assim”, relatou: “é a melhor escola de alfabetização em matéria de ensino da época, seguida pelo Instituto Rio Branco (escola de ensino primário), sob a direção do renomado Professor Newton Nogueira Neves”.

Por ser Cronista de jornal, por volta de 1960, entre 07 de maio de 10 de junho deu uma entrevista para o Correio do Nordeste (SIOGE, Ma), e colaborou com políticos do município escrevendo Discursos e orientando-os em suas oratórias.

Manfredo Viana foi aposentado em 1950, pela Lei nº 72 de 11/10/1950.

Manfredo Viana indiscutivelmente foi um importante professor: enérgico, respeitado e admirado por sua genialidade e intelectualidade, pois criava inúmeras álgebras e outros sistemas matemáticos que nunca chegou ao conhecimento público. Era muito respeitado também pela forma de como ensinava e disciplinava seus alunos, tendo reconhecimento notório no cenário educacional do Estado do Maranhão e do município de Itapecuru Mirim.

Da união entre Manfredo Viana e Adalgisa Nogueira da Cruz nasceram sete filhos: Conceição de Maria (Concita), Robispierre, Expedito, Maria José (Zezé), Ribamar, Aurino e Donatila, e residiram na AV Brasil, hoje propriedade, residência e loja de Dona Zezé e atualmente funciona um ponto chamado Mister Sheik.

Manfredo Viana Faleceu em 29 de março de 1969 – (AOS 78 ANOS DE IDADE) em Itapecuru Mirim.

Manfredo Viana, o homem.

Era um homem muito ligado a família, e emotivo que costumava exagerar nos seus cuidados e às vezes sufocava as pessoas que amava. Tanto no seio familiar como nas amizades, quando, se magoado, procurava se recolher para dentro de si mesmo. Mas era um homem bastante sensato e tinha bom senso. Apesar das conveniências não gostava de solidão, e nem de ser preso a um único ideal. Respeitava sua família e seus amigos. Tinha muita energia e por isso estava sempre ocupado com alguma coisa. Vivenciou o Protestantismo, Espiritismo, foi Marçon, Católico e devoto de Santo Expedito (Santo Expedito, segundo a tradição, era armênico, não se conhecendo o local de seu nascimento, mas parece provável que tenha sido em Metilene, localidade onde sofreu o martírio. 19 de abril é o dia do Santo Expedito).

Chegou a fazer vários vestibulares da época, chegou a iniciar o curso de Farmácia, mas não se formou em nenhum.

Manfredo Viana. Um homem disciplinado, prático, leal, confiável, gostava do seu trabalho de ser professor. Era muito eficiente.

“Confiança e lealdade são o que se pode esperar da pessoa cuja personalidade não admite superficialidade e covardia. Muito produtivo e eficiente, faz de sua bandeira a prudência e a disciplina. Com os pés no chão, não se deixava levar por nada que se mostrasse leviano ou propostas sedutoras demais. Pontual e responsável com seus compromissos, demonstrava sempre uma grande estabilidade, fator que o fazia respeitável por aqueles que o conheciam”. 

Não deixava nada por acabar, por isso muitas vezes era considerado uma pessoa conservadora. Mas, sua sobriedade não o permitia ser extravagante, preferindo sempre um estilo mais clássico até no se vestir. 

Emblemático. Driblou preconceitos. Possuía uma lucidez incomum, especialmente no que se referia julgar o mundo e as pessoas. Homem de poucas palavras, sempre procurava falas certas e no momento oportuno. O problema é que às vezes se desligava das coisas materiais, parecia não viver com os pés no chão, e desligava sua atenção com uma rapidez incrível.  Às vezes isso dava a impressão de não estar nem aí para o que acontecia à sua volta, o que não era verdade.

Liberdade era uma coisa muito importante para Manfredo Viana e, por esta razão preferia resolver sozinho seus problemas, sem pedir ajuda ou conselhos a quem quer que fosse. Não gostava nem de dar, nem de receber ordens. 

Misticismo.

Origem do nome Manfredo:

TEUTÔNICO  – Pertencente ao povo Germânico procedente da região do Elba (que junto com os cimbros, invadiu a Gália por volta de120 a.C. no mesmo período foi derrotado pelo exercito romano nas proximidades doAquae Sextiae), Alemão. (Enciclopédia Barsa Universal)

O significado do nome Manfredo: “AQUELE QUE DESEJA A PAZ”.

Origem do nome Viana: LATIM

Significado de Viana: VARIANTE ORTOGRÁFICA DE DIANA.

Uma curiosidade:

Com essa língua “o aramaico”, costumava escrever cartas para sua esposa que era também professora e dava aulas no Leite, município de Itapecuru-Mirim.

Contam seus familiares que uma vez Manfredo pediu que Abdala Buzar, ainda rapazote, que entregasse uma de suas cartas para sua esposa Adalgisa, que trabalhava no Leite, município de Itapecuru. Como ele conhecia a curiosidade do mesmo, escreveu em aramaico. Abdala então antes de entregar a tal carta, tentou ler o conteúdo. Mas para sua surpresa, não entendeu nada. Ao encontrar Manfredo, retrucou: Que língua é essa com tu escreve em tuas cartas? 

Manfredo sorriu e lhe respondeu: Sabia que tu ias procurar ler. Por isso usei essa estratégia. Assim não sabes do que trato com minha amada.

E, os dois caíram na gargalhada.

Escrita por Assenção Pessoa. Membro da Academia Itapecuruense de Ciência, Letras e Artes – AICLA, ocupante da cadeira de nº 13.  

REFERÊNCIA:

SANTANA, Jucey Santana. Itapecuruenses Notáveis, 2016.
http://lagusa-ita-ma.blogspot.com

Depoimentos de filhos, netos e sobrinhos de Manfredo Viana

João Boaventura Bandeira de Melo Marques é itapecuruense, professor, pedagogo, teólogo, escritor e membro efetivo da Academia Itapecuruense de Ciências, Letras e Artes (AICLA), representante da Cadeira Nº 20, patroneada por João Lisboa.

BIOGRAFIA
João Boaventura nasceu em 03 de dezembro de 1945 na cidade Itapecuru-Mirim, Maranhão. Filho dos itapecuruenses, Raimundo Nonato da Silva Marques (pedreiro) e Teresinha de Jesus Bandeira de Melo Marques, (professora). Casado com Maria José Oliveira Pereira Marques. Pai de Emanuel e Felipe Pereira Bandeira de Melo Marques.
Em Itapecuru-Mirim, tem residência localizada na Praça Cônego José Albino Campos nº 353, onde passou grande parte da adolescência e juventude, estudando, participando de grêmios estudantis, grupos de jovens e associações religiosas. Contudo, fixou residência em São Luís, na Rua da Lavadeira, nº 60 Sacavém.
Iniciou com sua mãe os estudos primários. Seguiu nas Escolas Santo Antônio, Escola Municipal Dr. Getúlio Vargas, Escola Paroquial São Vicente de Paulo, Grupo Escolar Gomes de Sousa, continuando na Escola Normal Regional Gomes de Sousa e Colégio Leonel Amorim.
Em Itapecuru-Mirim exerceu as funções de Bibliotecário Municipal; Professor Diretor das escolas municipais Pe. Cabral e Gonçalves Dias; Coordenador do Setor de Educação e Cultura; Alfabetizador e Presidente do MOBRAL (Movimento Brasileiro da Alfabetização); Professor no Grupo Escolar Gomes de Sousa, Professor de Desenho no Colégio Leonel Amorim, e de Ciências no Curso Madureza Ginasial ao lado do renomado itapecuruense, Professor Raimundo Nonato Lopes.
Na cidade de São Benedito do Rio Preto (MA), também teve a oportunidade de exercer a docência, no Instituto São Benedito –ISB.
Posteriormente, ao fixar moradia em São Luís, continuou lecionando na Unidade Escolar Josué Montello.
Somadas as funções laborais aqui descritas, desenvolveu funções técnicas: de contabilidade, na Indústria de Bebidas Antarctica do Nordeste S/A; e de segurança do trabalho, na Companhia Maranhense de Refrigerantes – Coca -Cola. Haja vista, sua formação técnica e profissional, também nestas áreas citadas.
Graduou-se em Pedagogia e Orientação Educacional, na Faculdade Santa Fé. E, pós-graduou-se em nível de Especialização em Docência do Ensino Superior, na mesma instituição.
Outrossim, bacharelou-se em Teologia pelo Instituto de Estudos Superiores do Maranhão – IESMA. Critério para que se tornasse Diácono Permanente da Arquidiocese de São Luís – MA.
Possue três livros organizados e publicados, de aspecto bíblico, formativo e devocional, para dinamizar fraternidades e encontros: “Vem e segue-me”; “Sagrados Corações” e “Semeando Alegria e Paz”.
Sempre sente-se agradecido e honrado em ser membro-fundador da Academia Itapecuruense de Ciências, Letras e Artes – AICLA, ocupando a cadeira nº 20, que tem como patrono João Francisco Lisboa.
Considera-se privilegiado e feliz em pertencer ao número dos nascidos em Itapecuru-Mirim, terra de história, vitórias, talentos e cultura.

BIOGRAFIA

FELICIANO CARLOS DA COSTA LOPES

PATRONO DA CADEIRA 21 – AICLA

 

            Ao final do Século XIX, em uma comunidade quilombola de Campo de Pombinhas, nasce FELICIANO CARLOS DA COSTA LOPES. Em meio a um mundo de transformações e de sonhos de uma nova era. A libertação dos escravos já havia ocorrido, mas sem integração e diálogo para com os Negros e às pessoas carentes de um modo geral, os mesmos ficaram isolados e rejeitados pela elite do Coronelismo.

            Não havia negros no alto escalão da sociedade. Tinha que existir os primeiros a se destacarem em meio de nossa cidade que ainda vivia como se ainda deveria haver escravizados.

            O mesmo é descendente dos escravizados do fazendeiro português ANTÔNIO LOPES DA CUNHA, que deixou todas as terras da FAZENDA CANTANHEDE para os seus escravizados, que receberam alforria plena com a morte de Antônio Lopes, pois o mesmo não tinha filhos biológicos, e seus pais já haviam morrido, e como o mesmo havia vindo de Portugal ainda criança, não possuía mais nenhum vínculo com sua terra de origem. E pelo maneira como descreve em seu testamento, o Sesmeeiro Português tinha um bom relacionamento com seus servos. Em nossa história essa fazenda deu origem a cidade de Cantanhede.

            O primeiro documento oficial de FELICIANO data de 08 de Novembro de 1912 – Página 6 – Secão 1, é o DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO, que dá nomeação a patentes do Exército Brasileiro, o que nos leva a crer que o mesmo já tinha mais de 18 anos nessa época, nos dando a entender que o mesmo nasceu entre 1888 e 1894, e mostra nosso herói recebendo a nomeação de ALFERES do 310º BATALHÃO DE INFANTARIA. Certamente correspondia ao Batalhão de nossa cidade. Grandes nomes de nossa história aparecem nesse documento, do qual transcrevo a seguir.

 

            DOU 08/11/1912, Pág 6, Seção 1

310º BATALHÃO DE INFANTARIA

Estado-maior – Tenente-Coronel Comandante, JOSÉ NOGUEIRA DA CRUZ;

Major Fiscal, JOAQUIM FERREIRA LIMA;

Capitão ajudante, BENEDICTO MARTINS MOREIRA;

Tenente secretário, ANTÔNIO FELIX BORGES;

Tenente quartel-mestre, GOETH THEOPHILO DE MACEDO;

Capitão cirurgião, JANUÁRIO CORDEIRO MENDES;

1º Companhia – Capitão, FRANCISCO XAVIER CARNEIRO FILHO;

Tenente, RAYMUNDO TINOCO NETTO;

Alferes, EPIPHANIO CARNEIRO DA CUNHA e JOÃO GONÇALVES PERES;

2º Companhia – Capitão, FRANCISCO FERREIRA APOLLIANO;

Tenente, JOSÉ LOPES DE MACEDO;

Alferes, FELICIANO CARLOS DA COSTA LOPES e SABINO SAUL DA SILVA;

3º Companhia – Capitão, MIGUEL FRANCISCO CARNEIRO;

Tenente, GUSTAVO MANCIO DE OLIVEIRA ARAUJO;

Alferes, JOSÉ CARNEIRO DA CUNHA e CASSIANO DE MORAES REGO;

4º Compainha – Capitão, JOAQUIM TEIXEIRA DE SAMPAIO;

Tenente, MARTINIANO OLAVO DE ARAUJO;

Alferes, RAYMUNDO CARNEIRO DA CUNHA e FELIPPE SANTIAGO DE OLIVEIRA.

            Seguindo a mesma linha, o DOU de 13 de Setembro de 1916, Seção 1, página 6, mostra mais uma vez a Feliciano recebendo uma nova nomeação, dessa vez de Tenente, o qual transcrevo abaixo.

DOU 13/09/1916, Pág 6, Seção 1

ESTADO DO MARANIIÃO

Comarca de Itapicuru-mirim            21° brigada de cavalaria

Estado-maior—Capitães assistentes, Anesio Aranha e José Augusto Lemos ;

Capitães ajudantes de ordens, Hercilio Patrício do Lago e Hermínio Raymundo Mendes;

Major cirurgião, José Antonio Pereira e Souza.

41° regimento de cavallaria:

Estado-maior – Tenente-coronel commandante, Raymundo Maia de Carvalho Junior;

Tenente quartel-mestre, Ignacio Ferreira Appoliano.

1° esquadrão – Tenentes, José Manoel Vieira e Raymundo Eugenio da Silva ;

Alferes, Higino Manoel Rodrigues e Francisco Garcia Nogueira.

2° esquadrãoTenentes, Gustavo Manço de Oliveira Araujo e Feliciano Carlos da Costa Lopes;

Alferes, Joaquim IIenriques de Araujo e João Garcia Nogueira.

3° esquadrão – Capitão, Francisco IIenriques Marinho;

Tenente, Pedro Raymundo Mendes Filho;

Alferes, Hilton Pinto.

4° esquadrão – Capitão, Arnaldo Costa;

Tenentes, Nestor Ferreira e José Lazaro Barroso;

Alferes, Alexandre da Silva Guimarães.

42° regimento de cavallaria

Estado-maior – Tenente-coronel comandante, Raymundo Anuo de Souza;

Capitão ajudante, Luiz Goega Barros;

Tenente secretario, Vinicio Lazaro Vianna.

Tenente quartel-mestre, Adelino Alves da Silva

Capitão cirurgião, Luiz Felippe de Azeredo;

Alferes veterinário, Joaquim dos Santos Nogueira.

1° esquadrão — Capitão, Genésio Clemente Nogueira ;

Tenente, Zacharias Alves da Silva e Eduardo Ferreira Firmo;

e Alferes, Antonio Manoel de Oliveira Filho Felomeno Crespiano Pereira do Couto.

2° esquadrão — Tenentes, José Mendes de Souza e Cassiano de Moraes Rego;

Alferes, Manoel Alves Linhares e Abdon Lopes de Almeida.

3° esquadrão— Capitão, Manoel da Cunha Freitas;

Tenentes, Marcellino Diogenes Nogueira e Felippe Sant’Ago de filiveira ;

Alfares, Alexandiino José Corrêa e Raymundo Faustino Cia Luz.

4º esquadrão — Capitão, Francisco Manoel Ferreira ;

Tenentes, João Bispo Mendes e Symphronio Rodrigues de Souza ;

Alferes, Raymundo dos Anjos Nascimento e Eleuterio Conrado da Cruz.

 

            Em 1914, temos a famosa foto histórica de uma das primeiras bandas marciais de Itapecuru-Mirim, chamada A DESPERTADORA, cujo maestro era SEBASTIÃO PINTO, onde vemos a imagem de FELICIANO CARLOS DA COSTA LOPES tocando uma TUBA. Após alguns anos dessa imagem, temos o mesmo como MAESTRO dessa famosa banda que irradiava com todo seu esplendor em meados do Século XX, animando e emocionando toda a nossa cidade. Abaixo mostramos a foto de SEBASTIÃO PINTO e da gloriosa banda DESPERTADORA ITAPECURUENSE

            FELICIANO CARLOS DA COSTA LOPES, era um nome muito popular nos jornais de época. Podemos fazer algumas menções, que podem ser facilmente encontrados em nossa HEMEROTECA NACIONAL. A saber:

  1. O JORNAL (MA) ANO 1916 – EDIÇÃO 370 – segunda-feira 14/fevereiro/1916

“ AS SECRETARIAS

JUSTIÇA E SEGURANÇA

Foram Nomeados os cidadãos MARTINIANO OLAVO DE ARAÚJO, FELICIANO CARLOS DA COSTA LOPES e FRANCISCO HENRIQUE MARINHO para, respectivamente, exercerem os cargos de 1º, 2º e 3º suplentes do delegado de polícia do Município de Itapecuru-Mirim…”

 

  1. PACOTILHA (MA) ANO 1919 – EDIÇÃO 279 – quarta-feira 26/novembro/1919

Mas refere de um ato de 29 de outubro de 1919

“ Itapecuru-Mirim

A bordo do vapor RIO BRANCO regressaram da Capital do Estado a esta localidade, onde residem,  os Exmos. Snrs Dr. Raul Lins e Silva e Cel. Joaquim Nogueira da Cruz, este prestimoso chefe da política dominante e aquele admirado e íntegro magistrado desta comarca, uma das glórias e honra da magistratura maranhense.

Do caos até as casas de suas residências foram S.S. Exos.  Acompanhados pela banda DESPERTADORA ITAPECURUENSE…

Fez se representar o IPIRANGA FOOTBALL CLUB que tem como seu presidente de honra o Dr. Raul Lins e como efectivo o Cel Joaquim Nogueira da Cruz.

E, assim, mais uma vez, do alto da imprensa apresentamos aos nossos ilustres amigos a nossas homenagens.

Itapecuru-Mirim, 31 de Outubro de 1919.

Bento Nogueira da Cruz, Anisio Duarte e Silva, Padre Joaquim Dourado, Padre João Possidônio, …

Julião Paulo Rodrigues, Feliciano Carlos da Costa Lopes, Manoel Simão do Rosário Lopes…”

 

  1. DIARIO DE SÃO LUIZ (MA) ANO 1924 – EDIÇÃO 79
  2. O COMBATE (MA) ANO 1930 – EDIÇÃO 1643
  3. O IMPARCIAL (MA) ANO 1932 – EDIÇÃO 3057
  4. A NOITE (RJ) ANO 1945 – EDIÇÃO 11962

            Em meados do século XX, chegar a ser Tenente do Exército Brasileiro, e receber por várias vezes a nomeação de Suplente de Delegado, e ainda por cima torna-se MAESTRO DE RENOME, então você não vai se assustar se te afirmar que ele ainda se tornou VEREADOR de nossa cidade. Encontrei na Câmara Municipal livros de Atas das décadas de 40 e 50 do século XX, revelando mais uma face de nosso PATRONO. Os registros confirmam o Livro de nosso Confrade BUZAR, que já havia revelado que Feliciano foi autor de leis importantes como A CRIAÇÃO DE FILAS NO MERCADO PÚBLICO e 15 DE SETEMBRO, DIA DA PADROEIRA DA CIDADE, NOSSA E finalmente encontramos outros registros nos cartórios de imóveis de nossa cidade. Em alguns momentos acrescentei os descendentes, ao qual grifei de verde. É a prova de que o Maestro Feliciano era descende direto dos escravos de ANTÔNIO LOPES DA CUNHA.

            Os mais velhos dizem que FELICIANO andava em um cavalo branco, e que o mesmo andava sempre alinhado, e muitas vezes vestido todo de branco, daí vinha um alto respeito à sua pessoa, que acabou recebendo o apelido de O BARÃO.

Conforme livro nº 3C – do Cartório do 1º Ofício de Itapecuru-Mirim:

TRANSCRIÇÃO DAS TRANSMISSÕES – Páginas 23 e 24

 

  • Número de Ordem: 118
  • Data: 17/11/1936
  • Circumscripção: Itapecuru-Mirim
  • Denominação ou rua e n.: Posse de Terra
  • Característicos e confrontações: Uma posse de terra própria na fazenda Cantanhede, ribeira de Itapecuru
  • Nome, domicílio e profissão adquirente: ABAIXO PÓS ESCRITO
  • Nome, domicílio profissão transmittente: Antônio Lopes da Cunha, falecido, antigo morador da fazenda Cantanhede, deste município e termos.
  • TÍTULO: Testamento público aprovado e registrado no livro de testamento e codicilo no cartório do 2º ofício deste termo.
  • Forma do título, data e serventuário: Translado de testamento em que o legatário ANTÔNIO LOPES DA CUNHA lavrou a referida posse aos seus escravos, compreendendo os seus descendentes
  • Valor do contrato: de acordo com o talão da coletoria estadual nesta cidade apresentaram juntamente com o traslado de testamento, está a mesma posse de terra lançada, sendo o seu valor 200$ duzentos encil de reis.
  • Condições do contrato: posse de uso frutos
  • AVERBAÇÕES: –

 

PÓS ESCRITO:

01: SELVA LOPES

02: CELINA LOPES

03: IRÍAS LOPES

04: ALEXANDRINA LOPES

05: LUDUGERIA LOPES

06: MARTA LOPES

07: JULIANA LOPES

08: IZABEL LOPES

09: FRANCISCA LOPES

10: BALBINA LOPES

11: JULIANA LOPES

12: IGNÊS LOPES

13: MARCOLLINA FERREIRA LOPES E SEU ESPOSO JOSÉ JOÃO FERREIRA

         IRMÃ DE FELICIANO LOPES CASADA COM O LÍDER DA FELIPA

         MÃE DE LUÍS DA FELIPA.

14: JOÃO EVANGELISTA LOPES

15: INGRACIA FRUTUOSO LOPES

16: JOANA LOPES E ESPOSO JOSE FERREIRA

17: MAURÍCIO JANUÁRIO LOPES

18: GERTRUDES LOPES

19: RAY(DO) SILVESTRE LOPES

20: SALUSTIANO DE MELLO LOPES E MULHER LUCIA MACIANA DE MELLO

21: IZIDORA LOPES

22: DOMICIANA FERREIRA LOPES E ESPOSO FAUSTINO FERREIRA LEITE

23: PULQUÉRIO B. MACHADO LOPES

24: CRISPIM LOPES DOS ANJOS

25: MARIA QUINTINA LOPES

26: GEMINIANO MARQUES E MULHER IZABEL CABRAL MARQUES

27: FELICIANO CARLOS DA COSTA LOPES

28: DOMINGOS ANGELO LOPES E SUA MULHER IRENIA CECILIA LOPES

29: VICTOR ABRAÃO LOPES E MULHER ELISIA DA SILVA LOPES

30: BENEDITO MANUEL LOPES E MULHER ROMANA CALPERTINA DO REY LOPES

31: GRACILIANO MANUEL LOPES E ESPOSA CECÍLIA LOPES

32: ALEXANDRINO LOPES E ESPOSA CATHARINA LOPES

        2.32.1 – MARCOLINA CREUSA PEREIRA (CARLOS SANTOS/ZÉ BALBINO)

                     3.32.1 – NAÍDE LOPES (Velhinha da Vila Palmeira)

                                   4.32.1 – ELIANA SAMPAIO LOPES

                                   4.32.2 – EDINAR LOPES (NEGA LOPES)

                                                   5.32.1 – LAYSLA LOPES SAMPAIO

                                   4.32.3 – ELINE LOPES SAMPAIO

                                   4.32.4 – ELIENE LOPES SAMPAIO

                                   4.32.5 – CARLOS EDVAN LOPES SAMPAIO

                                   4.32.6 – JOSÉ FILHO SAMPAIO LOPES

                                   4.32.7 – EDSON SAMPAIO

                     3.32.2 – MARIA LUZIA LOPES (LURDE)

                                   4.32.1 – NEDIR LOPES (Miranda do Norte)

                                   4.32.2 – ÉDINA LOPES (Bairro Liberdade)

                                   4.32.3 – EDVAN LOPES (Falecido)

33: IZIDORO LOPES DE ALMEIDA

34: ALTANNASIA ALMEIDA LOPES

35: JOÃO DA CRUZ COSTA

36: IZIGNIEL NAZARETH LOPES

37: RICARDO LOPES DA CUNHA

38: GERMANO LOPES

39: ANTÔNIO CALINO E ESPOSA MARIA LOPES

40: MAXIMIANO LOPES

41: JORGE COSTA LOPES

42: MARIA SALOMÉ LOPES

43: IZIDORO MARTINS LOPES

44: SATURNINO LOPES (SATU LORO GRANDE)

         2.44.1 EULEOTÉRIA LOPES

                    3.44.1 PAULA LOPES

                               4.44.1 MARIA JOSÉ LOPES (MARIA JOSÉ PRETA)

                               4.44.2 MARGARIDA LOPES

                               4.44.3 SIMPLÍCIO LOPES

                                          5.44.1 RAIMUNDO NONATO LOPES (PROF. NATO LOPES)

                                                     6.44.1 TEREZA CRISTINA SILVA LOPES

                                                     6.44.2 RAIMUNDO NONATO LOPES JÚNIOR (JUNIOR LOPEZ)

 

45: BALBINO NAZARETH LOPES

46: EUZEBIO LOPES

47: BOAVENTURA LOPES

48: THOMOTIO LOPES

49: VIRGILIO LOPES

50: AGUIDA NAZARETH LOPES

51: EDVALDO COSTA LOPES

52: ZACARIAS

53: HUGO LOPES

54: ROBERTO LOPES

55: VICTOR LOPES

56: HONORIO LOPES

57: CLODOALDO CANTANHEDE

1.58: CASTORINA DE MELLO LOPES

59: BERNARDINA LOPES

60: RAY(DO) GERMANO LOPES

61: IGNÁCIO LOPES

62: RAY(DO) MARTINS LOPES

63: MARTINHA M. LOPES

64: JOÃO BAPTISTA DE MELLO LOPES E ESPOSA SEBASTIANA ROSA LOPES

65: BOAVENTURA MIRANDA LOPES

66: SIDINHA LOPES

67: THOMAZ DE MELLO LOPES

68: CAMILLO LOPES

69: HOZANÃ PEREIRA LOPES E ESPOSA ANTONIA LOPES

70: PAULO        

71: MARIA LOPES

            O segundo registro, é na verdade o fechamento de uma indenização a esses herdeiros e descendentes das terras de Cantanhede, quando a mesma se oficializa como cidade.

        Houve a finalização do processo de inventário datado de 30 de dezembro de 1958, dando o favor de indenização para o negros Lopes, descendentes dos escravos de Antônio Lopes da Cunha. Essa nova lista aparece mudanças de nomes, em relação ao registro de 1936, dado pelo cartório de primeiro ofício de Itapecuru-Mirim, pois muitos já haviam morrido, dando lugar a sua descendência.

            CERTIDÃO DE INVENTÁRIO CARTÓRIO DO SEGUNDO OFÍCIO DE ITAPECURU-MIRIM

data: 15/01/1959

            Graciete de Jesus Coêlho Cassas, na época, escrivã vitalícia do Cartório de Segundo Ofício do termo sede da comarca de Itapecuru-Mirim, certifica os herdeiros que já se foram e descreve seus respectivos herdeiros e, ao final os nomes daqueles que ainda estavam vivos. A saber:

 

  • IZABEL LOPES

1º. Amacia Lopes

2º. Raimundo Silvestre Lopes

3º. Clementina Lopes

4º. Beneventura Lopes

5º. Aguida Lopes

 

  • EUZÉBIO LOPES

6º. Ernestina Lopes

7º. Joana Lopes

8º. Maria Lopes

9º. Vitor Lopes

10º. Benedito Manoel Lopes

 

  • IZIDORO DE ALMEIDA LOPES

11º. Atanazio de Almeida Lopes

               12º. Blandina Lopes Santos

  • RAIMUNDO GERMANO LOPES

13º. Maria do Nascimento Lopes

 

  • BALBINA LOPES

14º. Crispim dos Angelos Lopes

15º. Francisca dos Angelos Lopes

16º. Sabina dos Angelos Lopes

 

  • DOMINGOS ANGELOS LOPES

17º. Pedro Novaes Lopes

18º. Apolinário Bispo Lopes

19º. Rita Helena Lopes

20º. José de Ribamar Lopes

21º. Libanio Zacarias Lopes

22º. Manoel Zacarias Lopes

 

  • CASTORINA DE MELO LOPES

23º. Guadina de Melo Lopes

24º. Izidio Melo Lopes

25º. Severino de Melo Lopes

26º. Bernardina de Melo Lopes

27º. Braulina de Melo Lopes

28º. Marina de Melo Lopes

 

  • MARIA QUINTINA LOPES

29º. Germano Marques Lopes

30º. Zeferina Marques Lopes

31º. Alvina Marques Lopes

 

  • JULIANA LOPES

32º. Vita Lopes

33º Eleoteria Lopes

 

  • OZANÃ PEREIRA

34º. Lucio Pereira Lopes

35º. Silverio Pereira Lopes

36º. Almerinda Pereira Lopes

37º. Lazaro Pereira Lopes

38º. Melquiades Pereira Lopes

39º. Francisco Pereira Lopes

 

  • RAIMUNDO MARTINS LOPES

40º. Severino Lopes

41º. Lucio Lopes

42º. Antonio Lopes

43º. Cristina Lopes

44º. Domingos Lopes

 

  • IGNACIO LOPES

45º. Justino Lopes

46º. José Lopes

47º. Maria Lopes

 

  • MAURÍCIO JANUARIO LOPES

48º. Romana Lopes

 

  • FRANCISCO NAZARÉ LOPES

49º. Eduardo Lopes

 

 

  • HORÁCIO LOPES DA CUNHA

50º. Olímpio Lopes

51º. Paula Lopes

52º. Emília Lopes

 

  • BALBINO NAZARÉ LOPES

53º. Nazaré Lopes

54º. Geracina Nazaré Lopes

55º. Eduvirgens Nazaré Lopes

56º. Francisca Nazaré Lopes

57º. Marcelino Nazaré Lopes

58º. Raimundo Nazaré Lopes

59º. Euzébia Nazaré Lopes

 

  • MARIA SALOMÉ LOPES

60º. Joventina Salomé Lopes

61º. Francisca Salomé Lopes

62º. Satiro Salomé Lopes

63º. Fortunato Salomé Lopes

64º. Inez Salomé Lopes

65º. Martinho Salomé Lopes

66º. Maria Patocina Salomé Lopes

 

  • ENGRACIA FRUTUOSO LOPES

67º. Gabriel Lopes

68º. Antúcia Lopes

 

  • IRIAS LOPES

69º. Roberto Lopes

 

  • ZEFERINA LOPES

70º. Engrácia Calista Lopes

71º. Apolinário Marques Lopes

 

  • MARIA LOPES

72º. Inêz Lopes

 

  • MAXIMIANO LOPES

73º. Melquiades Lopes

74º. Firmina Lopes

75º. Graciliana Lopes

76º. Damião Lopes

77º. Raimundo Reis Lopes

78º. Alvino Lopes

 

  • PULQUERIO BISPO MACHADO LOPES

79º. Simião Machado Lopes

80º. Raimunda Machado Lopes

81º. Izidio Machado Lopes

82º. Ponciano Machado Lopes

83º. Joana Machado Lopes

 

  • JULIANA LOPES

84º. Martinha Lopes

 

  • RAIMUNDA LOPES

85º. Martinha Lopes

 

  • LUDIGERA LOPES

86º. Joana Lopes

  • BERNARDINA LOPES

87º. Boaventura Lopes

88º. Alcidia Lopes

 

  • CATARINA LOPES

89º. Alexandre Lopes (Viúvo)

90º. Sabina Lopes

91º. Alzira Lopes

92º. Marcelina Lopes

93º. Rosina Lopes

 

  • MARTINHA MARQUES LOPES

94º. Simão Tadeu Raposo (Simão Raposo Lopes)

 

  • MARIA PAULA LOPES

95º. José Veríssimo Lopes (Viúvo)

96º. Maria José Lopes

97º. Simplício Lopes

98º. Margarida Lopes

 

  • SELVA LOPES

99º. Ricardo Lopes

100º. Gertrudes Lopes

 

  • ALEXANDRINA LOPES

101º. Ernestina Lopes

102º. Joana Lopes

103º. Maria Lopes

104º. Vitor Lopes

105º. Benedito Lopes

106º. Domingo Lopes

 

               Acima os nomes dos já haviam partido na época. E abaixo transcrevo a lista dos que, na época, receberam a indenização, em vida:

 

               107º. FELICIANO CARLOS DA COSTA LOPES

               108º. TEMOTEO LOPES

               109º. VIRGÍLIO LOPES

               110º. AGUIDA NAZARÉ LOPES

               111º. JOÃO BATISTA DE MELO

               112º. BOAVENTURA MIRANDA LOPES

               113º. TOMAZ DE MELO LOPES

               114º. IZIDORA LOPES

              115º. SALUSTIANO DE MELO LOPES

               116º. JOÃO EVANGELISTA LOPES

               117º. MARCOLINA FERREIRA LOPES

               Há ainda outros registros que para esse primeiro momento não achamos necessário.

            Espero que esse pequeno compêndio histórico venha ajudar muitos a entenderam o grande exemplo que esse homem deixou.  FELICIANO CARLOS DA COSTA LOPES, meu patrno da cadeira 21.

            JÚNIOR LOPES

CADEIRA 21 DA AICLA

BIOGRAFIA: MARIA JOSÉ LOPES – MARIA JOSÉ PRETA – MARIA JOSÉ DE DEUS

PATRONA

CADEIRA 23

 

        Maria José Lopes, aparece na lista da segunda vitória como o de número 96º.

        Tive a felicidade de encontrar o manuscrito de sua autobiografia, guardada com carinho pela sua filha de criação, Dona Nonata. No qual transcrevo a seguir:

        “MINHA VIDA

MARIA JOSÉ LOPES MARTINS

        Filha legítima de JOSÉ VERÍSSIMO MARTINS e PAULA MARIA LOPES.

        Casaram-se em 06 de Janeiro de 1917.

        Eu nasci em 08 de Novembro de 1917, no mesmo ano e no mesmo local que eles se casaram, em Campo de Pombinhas.

        Fui batizada a 13 de Dezembro de 1918 na mesma Capela de Campo de Pombinhas, que na época pertencia a paróquia de Itapecuru-Mirim/MA.

        Lá passei minha infância naqueles campos sadios, brincando e correndo, montado cavalos, vendo bois, carneiros, bodes e pescando nos igarapés. 

         Estudava com minha mãe que era doméstica, ela foi com uma família para São Luís (capital do Maranhão) e só retornou para sua mãe quando estava com 15 anos. Como era pobre, ela voltou novamente a trabalhar e era para sua irmã, por isso sabia um pouco de tudo e isto ela me passou.

        Aprendi a ler muito bem com todas as pontuações e todas as orações.

        Quando eu tinha 10 anos, vim para casa de meu “tio” FELICIANO, que era parente nosso.

        Estive aqui em Itapecuru-Mirim, onde fiz o primeiro e segundo ano primário e depois voltei para Campo de Pombinhas. Durante esse tempo que passei aqui em itapecuru-Mirim, entre 1928 e 1930, fiz apresentações teatrais em pastorais e em comédias, pois era boa para decorar os textos, que eram necessários para as apresentações.

        Como lia muito bem e cantava as Ladainhas e os Benditos, era chamada para rezar em velórios.

        Minha mãe festejava São Sebastião todos os anos em Campo de Pombinhas, e eu tomei logo a frente para fazer estas atividades. E também fui ensinando as crianças da comunidade a ler. E, também, comecei a costurar. E tudo porque, já era eu quem ia com ou sem a minha mãe.

        Na minha terra eu já participava de todos os movimentos, festas dançantes, casamentos e batizados. Minha mãe ajudava aquelas pessoas que não tinham nada. Então fomos criados neste clima de ajudar aos que precisavam.

        Meu pai era lavrador, também vaqueiro e trabalhava no campo.

        Nós éramos 3 (três) filhos, duas mulheres e 1 (um) homem. Todos nós trabalhamos na roça e fazíamos as obrigações de casa.

        Era preciso que meus outros dois irmãos (Margarida e Simplício) também estudassem, foi o motivo que nos levou a mudarmos de vez para Itapecuru.

        Com os outros dois a despesa era grande. Comigo era pesada, avalia com mais dois.

        As minhas professoras deixaram que eu voltasse a estudar e, assim, terminei o Primário. Nessa época eu já tinha 14 para 15 anos. (1933)

        O dia que chegamos aqui foi 13 de março de 1933. Continuei costurando, ensinando e estudando. Bordava na mão, marcava colchete, fazia varanda labirinto de paredes, e rendas. Com isso eu me vestia, me calçava.

        Eu costurava para famílias de dentro da cidade e do interior. Fazia camisas para os que vendiam roupas prontas.

        Costurava para a família de Chafir Buzar e para várias casas, inclusive para a esposa de Abidala Buzar, para Maria de João Elias, Raimundo Oliveira, Maria José Abreu Silva etc..

        No interior, posso listar, povoados Saco, Jaibara, Ipiranga, Cajueiro, Morro do Burro, São João, Vaca Branca, Cantanhede e outros lugares que nem me lembro mais.

        Ao mesmo tempo que eu trabalhava, ensinava e costurava para as moças. Era casa cheia!

        Eu tinha minha escola particular, o nome era Escola São José.

        Como somos católicas, desde que fiz minha primeira comunhão, eu participava da Santa Missa diariamente e me comungava todos os dias, até hoje. Fui catequista toda minha vida dentro da igreja e fora, nos quatro cantos de nossa cidade.

        Fiz até curso catequético em São Luís do Maranhão, em Codó e até aqui mesmo passávamos semanas de estudos catequéticos.

        Até hoje tenho contato de pessoas que passaram pelas minhas mãos, no Rio, São Paulo e Brasília, tanto na costura, como no ensino, como na catequese.

        Pertenço aos apostolados Sagrado Coração de Jesus, de São José, Filha de Maria, Nossa Senhora das Dores e Legião de Maria, da qual fui uma das fundadoras. Eu, Maria José Lopes Martins, Maria Emídea e seu esposo Maninho.

        A Legião de Maria já tem 50 anos, tendo como fundador, Cônego José Albino Campos. E, em todas estas irmandades, sempre procurei cumprir meus deveres. Sempre trabalhando e costurando para me manter e nunca deixei de ir aonde o Diretor Espiritual me mandava.

        Fazia parte das romarias com os Vicentinos, e fui com eles para Anajatuba, Vargem Grande, Arari, Rosário, Chapadinha e Cantanhede.

        Mesmo com todo o trabalho que eu tinha, ainda me sobrava tempo para passear em Caxias do Maranhão, São Luís, Cantanhede e nos Interiores daqui, em minha terra.

        Em 1968, um vereador arranjou para eu ensinar pela Prefeitura Municipal. Neste tempo, a Prefeitura oferecia às pessoas a oportunidade de lecionar através dela. Mandavam procurar um estabelecimento e dessem o nome de Escola. Como eu já ensinava em minha casa, eu não precisei ir para outro local.

        Na época eu tinha 25 alunos, então eu disse a eles que não precisavam mais pagar, pois ia ficar por conta do Município. O nome da  Escola era Professor Luís Bandeira. 

        Porém eu decidi fazer assim, a tarde continuei com a Escola São José e pela manhã com a Professor Luís Bandeira.

        Quando Nonato Cassas foi prefeito, juntou a Escola Luís Bandeira com a da professora Marlene Nogueira. Eu não sabia quantos alunos tinha a de Marlene, mas a minha tinha 120 alunos. Já trabalhavam comigo duas professoras. Estas duas Escolas é hoje a Unidade Escolar João da Silva Rodrigues.

        E eu continuei com a minha Escola São José em minha casa, na rua Presidente Getúlio Vargas, número 425, onde moro até hoje, desde que chegamos aqui, desde que meus pais vieram pra cá e aqui vivo…

        Trabalhei 14 anos pelo Município. Deixei quando me aposentei. Nestes 14 anos, nunca tirei Licença e nunca recebi o que era de direito.

        Vamos falar da cidade como eu a conheci em 1928. Era pequena, tinha 8 ruas ao comprido e 8 ruas de travessa. Tinha as praças do Mercado,  da Cadeia, praça do Cemitério, da Santa Cruz, e da Igreja. A luz era de Lampião, havia 6 homens que acendiam às 6 horas da tarde e apagavam às 11 horas da noite. Primeiro era a Querosene, depois passou para Carboreto e em seguida Petromaque e, finalmente, chegou a luz elétrica.

        Os professores da época eram do estado e particular, a saber: professor Mata Roma, professor Newton Neves e professor João da Silva Rodrigues. Mariana Luz, professora Zulmira Fonseca, Dona Maria de Lourdes Coelho não eram do mesmo grupo.

        Depois foram vindas outras professoras: Dona Antonieta, dona Olga, dona Dadá, dona Sinhá Tavares e assim por diante.

        Eu estou aqui a 70 anos, vivendo na mesma rua, nunca mudei de rua. A mesma teve o nome de Beco da Perseverança, rua Caianinha e, por fim, rua Presidente Getúlio Vargas, 425, Itapecuru-Mirim/MA.

        Na minha vida, fui madrinha de muitas crianças, madrinha de batismo de crisma e de consagração, testemunha de casamento, paraninfa de formando etc.. Estes afilhados e afilhadas são as minhas alegrias. Visitam-me da maneira que podem, mas sempre com muita alegria que recebo-os.”

        Nesse mesmo caderno, há um diário que colocava não só o seu dia-a-dia, mas mensagens suas de fé e de grandes escritores brasileiros, além de escritos de gratidão de amigos e afilhados pela sua existência. Faço um capítulo à parte desses manuscritos.

        Ao final da autobiografia, há uma pequena resenha feita por sua principal filha de criação, dona Nonata, também conhecida como Nonata do Lécio:

        “Maria José Lopes, veio a falecer no dia 30 de abril de 2007, em sua residência às 6:00 horas da manhã.”

        Em sua CERTIDÃO DE BATISMO, livro n. 17, folha 49, paróquia de Nossa Senhora das Dores, cidade de Itapecuru-Mirim, diocese de São Luís, estado do Maranhão, está escrito:

        “Certifico que no dia 13 do mês de Dezembro do ano de 1918, na Matriz (Capela) de Pombinhas o Revmo. … batizou solenemente a MARIA JOSÉ, nascida a 08 do mês de Novembro de 1917, filha legítima de JOSÉ VERÍSSIMO LOPES MARTINS e PAULA MARIA LOPES MARTINS, foram padrinhos ÂNGELO GOMES e BENÍSSIMA GOMES, Itapecuru, 02 de Novembro de 1977.”

        A mesma está assinada pelo vigário Padre BENEDITO CHAVES LIMA e autenticada com o carimbo da Paróquia de Itapecuru-Mirim.

ÊXODO 2: MARIA JOSÉ LOPES MARTINS

 

        O Diário de Maria José Lopes, além de ter seus escritos e seu pensamento diário, há também um grande registro histórico de outras grandes personalidades de Itapecuru-Mirim e do Maranhão, presos no tempo e na memória de nosso povo, deixo um pouco do mesmo para degustação de nossos leitores:

O DIÁRIO DE MARIA JOSÉ LOPES

 

  1. A DOR

À querida irmã Maria José L Martins, Uma Lágrima Sentida,

da sua irmã e amiga –

A lágrima é a linguagem mais eloquente dos olhos.

Uma lágrima – gota puríssima retratando a dor

Que nos vai n’alma! A lágrima é a expressão mais fiel do Sofrimento!

A dor! – A dor é o poema sagrado que nobilita a alma,

Quando recebemo-la com paciência e fé!

A lágrima é o eco da saudade, é a companheira do amor!

Devemos enaltecer a Dor, pois esta nos abre a porta do paraíso,

Onde Jesus misericordioso nos dará a eterna Felicidade –

MGB_Em 12 de Agosto de 1945

  1. PENSAMENTO

Ao … de MJLM

São 6 horas da tarde. Horas de meditação e identidade!

O Sol envia os seus últimos raios à terra,

que se entristece na ausência do Sol.

Eu sinto dentro de mim, nesta hora suprema,

a nostalgia da Saudade!

Da saudade a uns lindos olhos

que sabem me fitar tão ternamente.

Os seus olhos têm um misterioso poder de atração,

que me faz sismar…

Esse olhar que veio iluminar minha alma

deixou-me cheia de sonhos!

Não sei porque gosto de fitar esses olhos castanhos.

Há neles crepitar de chamas ruflas

E claridades de luar.

Há fogo quando me fitam de perto

E sonho se de longe me fitam.

Olhos Luminosos como lhes quero!

Olhos fulgurantes como lhes estimo.

MGB

…”

  Os demais escritos deixarei em um outro momento.

  Maria José Lopes deixou um legado extraordinário através de seus discípulos.

Júnior Lopes

Acadêmico Viriato Correia – Biografia*

Terceiro ocupante da Cadeira 32 da Academia Brasileira de Letras, foi membro da Academia Maranhense de Letras; sendo patrono da Academia Itapecuruense de Ciências, Letras e Artes e da Academia Ludovicense de Letras.

Viriato Correia (Manuel Viriato Correia Baima do Lago Filho), jornalista, contista, romancista, teatrólogo e autor de crônicas históricas e livros infanto-juvenis, nasceu em 23 de janeiro de 1884, em Pirapemas (na época distrito de Itapecuru Mirim/MA), e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 10 de abril de 1967.

Filho de Manuel Viriato Correia Baima e de Raimunda Silva Baima, ainda criança deixou a cidade natal para fazer cursos primário e secundário em São Luís do Maranhão. Começou a escrever aos 16 anos os seus primeiros contos e poesias. Concluídos os preparatórios, mudou-se para Recife, cuja Faculdade de Direito frequentou por três anos. Seus planos incluíam, porém, a radicação no Rio de Janeiro, e sob o pretexto de terminar o curso jurídico na metrópole, veio juntar-se à geração boêmia que marcou a intelectualidade brasileira no começo do século. Em 1903 saiu no Maranhão o seu primeiro livro de contos, Minaretes, marcando o aparecimento de Viriato Correa como escritor. O livro não agradou a João Ribeiro, que descarregou contra ele toda a sua crítica. Considerou afetado o título, proveniente do árabe, porque uma mesquita não tem nada em comum com contos sertanejos, que foram o tema da obra.

Por interferência de Medeiros e Albuquerque, de quem se tornara amigo, Viriato Correia obteve colocação na Gazeta de Notícias, iniciando carreira jornalística que se estenderia por longos anos e no exercício da qual seria colunista do Correio da Manhã, do Jornal do Brasil e da Folha do Dia, além de fundador do Fafazinho e de A Rua. Colaborou também em CaretaIlustração BrasileiraCosmosA Noite IlustradaPara TodosO MalhoTico-Tico. No ambiente das redações, em convívio com intelectuais expressivos como Alcindo Guanabara e João do Rio, encontraria incentivo para a expansão dos pendores literários já revelados. Muitas das suas obras de ficção consagradas em livro foram divulgadas pela primeira vez em páginas de periódicos. Assim ocorreu com os Contos do sertão, que, estampados primitivamente na Gazeta de Notícias, foram reunidos em volume e publicados em 1912, redimindo Viriato Correia do insucesso de Minaretes. Outros livros de ficção viriam depois confirmar o contista seguro, pelo justo equilíbrio entre o ritmo empolgante e a pausa tranquilizadora das descrições. Inspirava-se no cotidiano burguês ou campestre, em cenários exclusivamente brasileiros.

Obteve notoriedade no campo da narrativa histórica, ombreando-se com Paulo Setúbal, que também se dedicou ao gênero. Enquanto o escritor paulista deu preferência ao romance, Viriato Correia optou pelas historietas e crônicas, com o intuito visível de atingir o leitor comum. Escreveu no gênero mais de uma dezena de títulos, entre os quais se destacam Histórias da nossa História (1921), Brasil dos meus avós (1927) e Alcovas da História (1934). Com o objetivo de levar a História também ao público infantil, recorreu à figura do afável ancião que reunia a garotada em sua chácara para a fixação de ensinamentos escolares. As sugestivas “lições do vovô” encontram-se em livros como História do Brasil para crianças (1934) e As belas histórias da História do Brasil (1948). Deixou ainda muitas obras de ficção infantil, entre elas o romance Cazuza (1938), um dos clássicos da nossa literatura infantil, em que descreve cenas de sua meninice.

O meio teatral, que frequentou como crítico de jornal e mais tarde como professor de história do teatro, propiciou a Viriato Correia amplo domínio das técnicas dramáticas, transformando-o num dos mais festejados e fecundos autores teatrais em sua época. Escreveu perto de trinta peças, entre dramas e comédias, que focalizam ambientes sertanejos e urbanos, vinculando-o à tradição do teatro de costumes que vem de Martins Pena e França Júnior.

Foi deputado estadual no Maranhão, em 1911, e deputado federal pelo Estado do Maranhão em 1927 e 1930.

* Fonte Principal: Site da Academia Brasileira de Letras (com alterações)

DADOS BIOGRÁFICOS DE SALOMÃO FIQUENE, Patrono da Academia Itapecuruense de Ciências, Letras e Artes – AICLA, Cadeira 29, atualmente ocupada pelo economista e poeta JOSEMAR SOUSA LIMA

Dentre os numerosos migrantes libaneses que chegaram ao Brasil, nos primórdios do século passado, figuravam os irmãos ROQUE e ELIAS DARWICH FIQUENE.

Presume-se que tenham desembarcado no porto do Rio de Janeiro por volta de 1905. Após longo e cansativo roteiro, realizado em duas etapas, em que trocaram a pátria de origem por outra literalmente desconhecida, alcançaram o Maranhão, na certeza de que aqui se dariam bem, pois era esse o sentimento que os dominava, com base nas informações prestadas pelos patrícios, que os aconselharam a vir para cá.

A chegada dos irmãos FIQUENE no Maranhão, não era, portanto, uma aventura. Era um projeto de vida, que tinha como referência o vale do Itapecuru, onde as terras eram abundantes e nelas morava um povo hospitaleiro, sendo uma região promissora para quem desejava trabalhar com afinco e tenacidade.

Desembarcados no porto de São Luís partiram, no primeiro vapor, com destino à cidade de Itapecuru Mirim, sendo recebidos de braços abertos pelos patrícios, alguns já em plena prosperidade, a exemplo de Basílio Simão, o qual, segundo o professor Wady Sauáia, no livro Cenas que Ficam, “ajudava e protegia os árabes recém-chegados.

Ao contrário de outros patrícios, que começaram a ganhar dinheiro como mascates, os irmãos FIQUENE, mercê de razoável poupança trazida do Líbano, partiram para a instalação de um estabelecimento comercial de pequeno porte, na famosa Rua do Egito, a principal de Itapecuru, onde os árabes moravam e negociavam.

Bem estabelecido comercialmente, ROQUE FIQUENE, que era casado, decidiu trazer a esposa ZAFIRA, que ficara no Líbano.

O elevado grau de apreço por Itapecuru fez o casal, de comum acordo, pensar na geração de um filho.

Após nove meses de ansiedade, a 27 de outubro de 1907, para alegria e satisfação do casal libanês, nascia um menino, de parto normal, que recebeu o nome de SALOMÃO.

Nascido, batizado e criado em Itapecuru Mirim, onde passou boa parte da infância, recebeu ali o melhor que a cidade poderia lhe oferecer em matéria de instrução. As duas melhores professoras do município – ZUMIRA FONSECA e MARIANA LUZ -, foram mobilizadas para alfabetizá-lo e prepará-lo para um futuro radioso.

O garoto tinha 10 anos quando ROQUE FIQUENE e ZAFIRA, consensualmente, resolveram deixar a terra que os abrigou durante bom tempo e onde ganharam um bom dinheiro.

Para cumprir o objetivo principal de sua vinda para São Luís, ROQUE matriculou o filho no Instituto Maranhense, do professor Oscar Barros, sendo, em seguida, transferido para o Colégio São Luís Gonzaga, da provecta professora Zuleide Bogéa, onde concluiu o curso primário.

Em continuidade aos estudos, fez o curso secundário em três estabelecimentos educacionais, concluindo no Liceu Maranhense.

Em 1924, logrou aprovação no rigoroso vestibular da Faculdade de Medicina da Bahia, onde só ficou um ano. Em 1925, surgiu a excepcional oportunidade de transferir-se para a famosa Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro.

Em 28 de dezembro de 1929, recebeu o diploma de médico, mas continuou no Rio de Janeiro, porque as portas do universo científico e acadêmico se abriram para ele de modo fantástico. Por meio de concursos, chegou ao Instituto Oswaldo Cruz, ao corpo docente da Universidade do Brasil, como professor de parasitologia, ao corpo médico do Exército, da Santa Casa de Misericórdia e da Policlínica do Rio de Janeiro, onde prestou inestimáveis serviços e absorveu conhecimentos valiosos, que serviram de base para despontar como profissional gabaritado. Depois de cinco anos de intensa atividade como médico e professor, resolveu acabar com a solidão que o acompanhava no Rio de Janeiro. Veio a São Luís com a finalidade explícita de contrair matrimônio com a jovem e bonita VICTÓRIA METRE, sua namorada desde os tempos de estudante secundarista.

A 28 de janeiro de 1933, uniram-se diante de Deus e da Lei. Após a solenidade nupcial retornaram para a Cidade Maravilhosa, onde ele continuaria a ensinar e receber o reconhecimento de notáveis mestres, do nível de Carlos Chagas, que não economizou  elogios ao analisar o trabalho de sua lavra “Doenças de Nicolau Fevre”, sobre o tratamento da doença pelo uso de sais de ouro.

Em 1936, por motivos estritamente particulares, foi compelido a deixar o Rio de Janeiro, vindo morar definitivamente em São Luís, na companhia da esposa VICTÓRIA e das filhas cariocas LÍLIA e LÉA.

SALOMÃO FIQUENE encontrava-se em plena atividade acadêmica, quando, por efeito da redemocratização do país, anunciaram-se as eleições para a Câmara Municipal de São Luís, marcadas para 25 de dezembro de 1947.

O Partido Social Trabalhista, fundado pelo Senador Victorino Freire, desejava eleger uma bancada expressiva de vereadores. Figuras representativas da sociedade foram convidadas para integrar a chapa do PST.

Ele aceitou o desafio, filiou-se ao PST, concorreu ao pleito e elegeu-se com expressiva votação.

Na Câmara teve um desempenho parlamentar significativo, a ponto de ser incluído na chapa do PST para disputar as eleições para a Assembléia Legislativa do Estado do Maranhão.

Ainda que bem sufragado nas urnas, especialmente em Itapecuru, sua terra natal, cujo prefeito era o primo Miguel Fiquene, não conseguiu o número suficiente de votos para se eleger, dando por encerrada sua participação na vida política estadual que, embora curta, foi proveitosa, pois conheceu outras experiências de vida e de trabalho.

Pelos títulos conquistados e pelos trabalhos apresentados, sempre voltados para a melhoria da qualidade de vida da humanidade, tornou-se membro da Academia Nacional de Medicina, da Sociedade de Medicina do Maranhão, sendo desta presidente várias vezes, do Conselho Deliberativo da Associação Médica Brasileira, do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, da Sociedade Brasileira de Dermatologia e Sifilografia, da Sociedade Brasileira de Química e da Sociedade de Astronomia da França.

Por dominar fluentemente os idiomas francês, inglês, espanhol, italiano e alemão, marcou presença em numerosos simpósios e seminários nacionais e internacionais, para proferir palestras ou apresentar trabalhos de cunho médico-científico. Alguns desses trabalhos, pela importância e abrangência universal foram publicados em revistas e livros de expressão acadêmica.

Após sua aposentadoria, como professor catedrático da Universidade Federal do Maranhão, em 1973, com a relevante bagagem científica que portava, candidatou-se à Academia Maranhense de Letras.

Membro da Academia Maranhense de Letras, foi eleito em 4 de novembro de 1967 e tomou posse em  12 de março de 1968, sendo recepcionado pelo Professor Rubem Almeida, foi seu Vice-Presidente, ocupando a cadeira número 21, patroneada por Maranhão Sobrinho, fundada por Antônio Lopes e vaga com a morte de Isaac Ferreira, até poucos meses antes de falecer, onde dominou sempre com sua presença infalível, expressiva e gentil. Em 1983, publicou a sua última obra literária, “Palestinos e seus Primos Judeus”.

Em 1978, elegeu-se para o Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão, ocupando a Cadeira nº 24, patroneada por Antônio Enes de Almeida e desfalcada pelo falecimento de do professor José Silvestre Fernandes.

No exercício das atividades culturais, legou ao Maranhão e ao Brasil, uma vasta bibliografia, na qual despontam publicações do nível de Ao País dos Cedros Eternos, A República Árabe Unida, Aquiles Lisboa – Grande Médico do seu Tempo, Dr. Neto Guterres – Símbolo da Generosidade do seu Tempo, Caxias – O Pacificador e Palestinos e seus Primos Judeus, sua última obra literária.

Nascido na cidade maranhense de Itapecuru Mirim, em 27 de outubro de 1907, Salomão Fiquene formou-se pela Faculdade Nacional de Medicina do Rio de Janeiro, antiga Universidade do Brasil, na qual veio a ser Professor-Assistente, Doutor e Docente Livre. Especializou-se em Parasitologia, Biologia Médica, Microbiologia, Imunologia, sendo diplomado em primeiro lugar no Instituto Oswaldo Cruz (Manguinhos), do Rio de Janeiro. Foi Professor de Parasitologia em vários cursos promovidos pelo Departamento Nacional de Saúde, assim como de tomologia na hoje extinta Escola de Agronomia do Maranhão.

Foi também Professor Catedrático e Diretor da Faculdade de Farmácia e Odontologia de São Luis; Professor da Faculdade de Filosofia e Serviço Social e Diretor do Instituto Oswaldo Cruz do Maranhão, quando iniciou a fase áurea para o referido Instituto, no qual além dos serviços de rotina sanitária e clínica, passou a produzir vacinas antivariólica, antitífica e antirrábica em grande escala, fornecendo as primeiras doses para vários estados do norte e nordeste do Brasil.

Relevante notar, que a vacina antitífica era preparada através de técnica maranhense, baseada em estudos de autores russos, romenos e franceses, estudos devidamente experimentados pelo nosso conterrâneo Salomão Fiquene, que publicou suas conclusões nos Arquivos de Higiene do Departamento Nacional de Saúde.

Informado sobre a nova técnica e vantagens práticas da vacina, na época, o Professor Barros Barreto, então Diretor do Departamento Nacional da Saúde, de passagem pelo o Maranhão, deu ao nosso cientista a maior prova de confiança; mandou que o Dr. Fiquene lhe aplicasse uma injeção da vacina.

Salomão Fiquene foi, ainda, Diretor da Divisão de Serviços Técnicos Centrais do Departamento Estadual de Saúde, Tesoureiro da Fundação Paulo Ramos, membro da Comissão de Estudos da Universidade Federal do Maranhão, da qual recebeu o título de Professor Emérito. Foi membro por dois mandatos consecutivos do Conselho Estadual de Cultura. Salomão Fiquene também pertenceu à Sociedade Brasileira de Microbiologia, ao Colégio Brasileiro de Cirurgiões, à Societé Astronomique de França, à  Academia Nacional de Medicina, entre diversas outras instituições da área médica, como por exemplo, membro do Conselho Profissional de “O Médico Moderno” e do Conselho Editorial de Atualização Médica.

Autor de vasta bibliografia especializada, em livros e periódicos, Salomão Fiquene publicou em 1931, “Doenças de Nícolas Fabre”; em 1938, “Vacinação Antitífica”; em 1941, “O Problema das Disenterias no Maranhão”; em 1948, “Novo Anti…

Foram muitas e muitas gerações da área de saúde que absorveram do mestre FIQUENE, exemplos de honra, humanismo e amizade, exemplos dignificados em todos os momentos de sua vida. Resta, sem dúvida, que a sociedade atual tem com o saudoso mestre uma dívida: Ficou muito de sua vida, mas também um pouco de sua morte. De sua vida o exemplo, a extrema dedicação, a inexcedível cultura médica que pacientemente transmitiu na cadeira de Doenças Parasitárias. De sua morte, um longínquo ressentimento de saber que sua energia vital foi também gasta com toda uma geração de profissionais da saúde, em sua diuturna atividade docente.

Na época difícil da Faculdade de Medicina, Farmácia e Odontologia, quando funcionava num Grupo Escolar na Praça Gonçalves Dias, em São Luis do Maranhão, e o salário dos professores pagos pela Universidade Católica não equivalia nem ao salário de um docente de curso secundário, assim mesmo o Professor FIQUENE tinha a pontualidade britânica e transmitia conhecimentos com incomparável maestria, acompanhado com um único assistente, Lourival Castro Gomes, um a um os numerosos alunos, acariciando-os com palavras como “Meu Filho”, “Jovem” ou chamando pelo nome próprio de cada um, que ele tão sabiamente conseguia gravar, conduzindo a todos para o “Universo do Conhecimento”, entregando a cada um com sabedoria as armas verdadeiras para futuras conquistas.

Com a federalização da Universidade, novos prédios, melhores salários, estrutura e o Professor FIQUENE não alterou sua rotina de trabalho, o mesmo desvelo, a mesma eficiência, a mesma cortesia e paciência com seus alunos. Desvantagens e vantagens pecuniárias nunca o atingiram enquanto mestre, homem de ciência e sacerdote da medicina.

Em 24 de junho de 1984, vitimado por parada cardíaca, nos deixou para sempre. Estava com 77 anos, ao longo dos quais deu provas inequívocas de abnegação, honradez e dignidade, concluído mais essa viagem da qual retorna hoje em lembranças, passando a eternizar-se aqui na Academia Itapecuruense de Ciências, Letras e Artes – AICLA, na condição de Patrono da Cadeira 29, e na memória de todos os seus orgulhosos conterrâneos pelo conjunto de suas obras e pelo legado de amor e dedicação à família e a causa da humanidade.

Leonel Amorim de Sousa, filho de José Amaro Neto e de Feliciana Amorim de Sousa, nasceu em Piracuruca (PI) em 7 de novembro de 1927.

Agrimensor, em 1949, a convite do agrônomo Oscar Belo, mudou-se para Chapadinha (MA) para trabalhar como demarcador de terras. Lá, conheceu a professora Maria do Rosario de Moraes Barros, com quem se casou em 31 de maio de 1950, e mudaram-se para Itapecuru Mirim (MA) no final do mesmo ano.

Com suas ideias inovadoras e a certeza de que a educação e a cultura proporcionam o desenvolvimento pessoal para os cidadãos e oportunidades de se tornarem agentes de transformação, fundou, em 15 de fevereiro de 1957, a Escola Normal Regional Gomes de Sousa, com o objetivo de formar professores para a região, homenageando, com o nome da escola, o notável matemático itapecuruense. Hoje, chama-se Colégio Leonel Amorim.

Como educador, Leonel Amorim realizou o sonho de muitas gerações da região de Itapecuru Mirim e municípios vizinhos, ao implantar o primeiro curso de ensino fundamental (na época, ginásio) e ensino médio (com o curso normal), criando um novo espaço de aprendizagem para que alunos de diversas classes sociais tivessem a oportunidade de realizar o sonho de uma vida plena por meio da educação como agentes de transformação de sua realidade e da sociedade da qual faziam parte. Para incluir a todos que dela precisassem, a escola chegou a funcionar, por determinado período, de forma gratuita e com fornecimento de uniforme aos que não tinham condições financeiras para arcar com as despesas escolares.

Seu amor pelo conhecimento e sua dedicação ao ensino levaram o professor Leonel a ministrar aulas de Psicologia, Sociologia, Química, Física e Agricultura.

Dedicou-se, também, à carreira de advogado provisionado e representou os legítimos interesses das pessoas físicas e jurídicas a ele confiadas, sempre respeitando a lei na defesa de seus clientes e amigos.

Sempre defendendo a educação e a cultura, foi eleito vereador e exerceu o mandato por três legislaturas e, graças ao seu espírito de liderança e popularidade, também presidiu a Câmara Municipal.

Sua atuação como parlamentar ético e respeitado o alçou ao cargo de vice-prefeito, no mandato de Raimundo Nonato Coelho Cassas, no período 1970 a 1973, mas veio a falecer em plena atividade política em 21 de julho de 1972, aos 44 anos, vítima de acidente automobilístico na BR 135, nas proximidades do povoado Bacabeira, na época, município de Rosário (MA), quando retornava para Itapecuru-Mirim, causando muita comoção nos familiares, amigos, clientes, no meio político e educacional.

É patrono da Cadeira nº 30 da Academia Itapecuruense de Ciências- AICLA

Benedita Silva de Azevedo, nasceu em Itapecuru Mirim (MA).   Radicada no Rio de Janeiro desde 1987.  Graduada em Letras e Pós graduada em Linguística. Lecionou de 1972 a 2005. É professora, escritora, poeta, haicaísta, antologista e Artista Plástica. Pertence a várias instituições literárias no Brasil, Chile, Portugal e França. Membro fundador da AICLA. Presidente da APALA (2010-2012). Membro Efetivo da ADABL (Associação dos Diplomados da Academia Brasileira de Letras). Artilheiro da Cultura do Centro de Literatura do Forte de Copacabana. Participa do Centro de Expressões Culturais do Museu Militar Conde de Linhares e do Círculo Literário do Clube Naval. Recebeu várias premiações e comendas, inclusive o 1º lugar no “Grande desafio” do 17º Encontro Brasileiro de Haicai, em 2005/SP, 1º lugar no Concurso Brasileiro de Haicai Caminho das Águas, em 2011/ Santos/SP. Escreveu 32 livros individuais e 2 em parceria. Organizou 33 antologias. Publica em  jornais, revistas, sites e em mais de 160 antologias. Autora do Projeto Haicai na Escola /2004, com incentivo  a leitura e a escrita. Fundou o Grêmio Haicai Sabiá  em 2006, em Magé – RJ.   Em 2008, fundou o Grêmio Haicai Águas de Março, o 1º da cidade do Rio de Janeiro, RJ e 2º do Estado. Em 2020 lançou o projeto UTAMAKURA BRASILEIRO (lugares poéticos brasileiros) com lançamento do I Livro em maio de 2021. 

[email protected]

www.beneditaazevedo.com

Terezinha Maria Muniz Cruz Lopes, professora, bancária e ativista cultural arariense.    Mudou-se para Itapecuru Mirim em 1981 para acompanhar o seu esposo itapecuruense, passando a atuar  no magistério local e  dedicar-se  aos trabalhos sociais e culturais da região. Na cultura itapecuruense foi pioneira em vários projetos culturais de relevância como coordenadora de Cultura e Turismo do município. Exerceu vários cargos na administração pública municipal entre os quais:  Secretária de Assistência Social, Secretaria Municipal da Mulher,  Diretora da Casa da Cultura,  Assessora Especial da Cultura e Diretora da APAC (Associação de Proteção e Assistência ao Condenado – Unidade de Itapecuru Mirim). A professora  vem prestando inestimáveis serviços a cultura e a educação ao município de Itapecuru Mirim.  É membro da Academia Itapecuruense de Ciências, Letras e Artes e recebeu o título de cidadã itapecuruense, da Camara Municipal  em 2002.

Gonçalo Amador Nonato, jornalista, natural da cidade de Presidente Vargas (MA), é um notável defensor da cultura maranhense. Iniciou sua trajetória jornalística na Empresa Pacotilha, proprietária do Jornal Imparcial, onde trabalhou durante 15 anos. Em 23 de novembro de 1990, fundou o Jornal de Itapecuru, na cidade de Itapecuru Mirim.

Organizou uma obra, inédita, Livro Reportagem – o qual registra fatos relevantes que foram noticia, nas páginas do Jornal de Itapecuru, durante os trinta  e um anos, que pretende publicar brevemente. É Membro efetivo da Academia Itapecuruense de Ciências, Letras e Artes (AICLA), ocupante da cadeira número 37 patroneada por Nonato Buzar e membro fundador da Academia Vargem-grandense de Letras e Artes, ocupante da cadeira 05 patroneada por Pedro José Frazão.

Bernardo Tiago de Matos

Bernardo Thiago de Matos nasceu, em 1º de maio de 1915, na cidade de Morros – MA, filho de Hipólito Victor de Matos e Maria Marques dos Santos Matos. Estudou nas escolas primarias de Morros. Foi Tipógrafo, Compositor, Paginador e Impressor do Jornal “a Luz” em Morros, posteriormente Auxiliar de Comércio. Faleceu em 23 de junho de 1999.

 

VIDA PÚBLICA

 

1 – Agente Municipal de Estatística – Morros – MA;

2 – Prefeito de São José de Ribamar – MA (nomeado);

3 – Prefeito de São Vicente Ferrer (nomeado);

4 – Prefeito de Itapecuru-Mirim (nomeado);

5 – Prefeito de Rosário – MA (eleito);

6 – Vice-Prefeito de Morros – MA (eleito);

7 – Chefe da Residência de Conservação do Dep. Est. Rodagem – Bacabeira – Rosário – MA;

8 – Chefe da Residência de Conservação do Dep. Est. Rodagem – Caxias – MA;

9 – Chefe da Residência de Conservação do Dep. Est. Rodagem –Lima Campos – MA;

10 – Chefe da Instalação Industrial – Rosário – MA;

11 – Chefe da Residência de Conservação do Dep. Est. Rodagem – São Francisco, Itapecuru-Mirim– MA;

12 – Chefe Administrativo 1º Distrito Tirirical Dep. Est. Rodagem – São Luís – MA;

13 – Diretor Geral do Departamento Municipal de Estrada e Rodagem de São Luís – Tirirical – MA;

14 – Auxiliar de Engenheiro da Secretaria de Obras e Viação do Município de São Luís – MA;

15 – Chefe da Seção Material do DMER – Tirirical – São Luís – MA;

16 – Diretor da Administração Interna (SAI) – DMER – São Luís -MA;

17 – Auxiliar Administrativo – Nível III – Referencia 12 – Condrago – São Luís – MA.

 

ATUAÇÃO EM ITAPECURU-MIRIM

Relatos emocionados de moradores de Itapecuru-Mirim dão uma ideia da grandeza deste nobre homem, que na época da Ditatura de Getúlio Vargas colocou na governança do Maranhão o interventor Paulo Ramos e este último, pois a frente da Prefeitura Desta Cidade – MA, Bernardo Tiago de Matos, em 1942.

Os moradores supracitados são: Maria do Rosário, Jamil Mubarack e Júlio Araújo “Bilisca” A primeira enfatiza, que antes de Bernardo Tiago chegar a esta terra, a cidade, não possuía organização urbana, sendo bem semelhante à maioria das comunidades interioranas do Estado, pois, a mesma crescia sem um traçado urbano que beneficiasse um crescimento harmônico. Maria do Rosário faz questão de enfatizar, ainda a presença constante de animais vagando pelas ruas tais como porcos, galinhas, cavalos, jumentos, bois etc. Que vagavam de rua em rua deixando as ruas fétidas e cheias de resíduos fetais. Nestes casos mais uma vez Bernardo Tiago teve pulso firme e disciplinou a presença de animais nas ruas.

 Jamil Mubarack é sempre enfático ao falar de Bernardo Tiago, afirmando, que o mesmo foi o melhor prefeito Desta Cidade e repete a característica feia e desorganizada que Itapecuru-Mirim possuía, antes de sua presença; destacando alguns pontos da administração de Bernardo Tiago, que são:

1 – Prédio da Prefeitura Municipal: funcionava de casa em casa tendo como característica uma simples mesa, que mudava ao sabor de cada administração, Bernardo Tiago idealizou o atual prédio de estilo belo e imponente, sendo que o mesmo teve que desapropriar uma casa, onde funcionava uma padaria do Coronel Zuza Bezerra;

2 – A construção da Praça Gome de Sousa, onde se encontrava a residência de Zuza Bezerra deu lugar a mais um sonho concretizado de Bernardo Tiago;

3 – O Colégio Estadual Gomes de Sousa também não possuía sede própria Bernardo Tiago, outra vez agiu e deu inicio as obras finalizadas não por seu curto tempo a frente da Prefeitura;

4 – A Rua da Passagem foi transformada em Av. Gomes de Sousa as casas de taipas e as que não estivessem alinhadas foram indenizadas e posta em baixo, sendo reconstruídas de tijolo, seguindo um padrão regular;

5 – A Rua da Caiana foi transformada em Av. Brasil outro sonho ousado, uma vez que, a atual Ponte Sobre o Rio Itapecuru não existia e Av. Brasil poderia ficar ociosa, contudo, transformou-se na mais importante da Cidade atualmente.  Para realizar suas obras Bernardo Tiago montou uma cerâmica nas proximidades do Igarapé da Zorra, com oleiros trazidos da Baixada Maranhense e Rosário. Jamil Mubarack termina seu relato com a seguinte frase “Homem reto, probo e correto, após o término de seu mandato até o cavalo e o resolver, que eram propriedades da Prefeitura foi entregue por ele”. O comerciante Júlio Araújo “Bilisca” ratificou veementemente todas as falas dos entrevistados acima e retrucou ele foi a prova viva, de que uma administração pública feita com planejamento, disciplina e honestidade da certo mesmo que seja desprovida de poucos recursos.

 

Plano de Urbanização em Itapecuru Mirim

Este núcleo urbano tão bem deli­neado e esboçado no desenho de Joaquim Araújo, pelo que se tem co­nhecimento, só veio a sofrer modifi­cações nas décadas de 40, em plena fase ditatorial, quando o Maranhão era então administrado pelo interven­tor Paulo Ramos, e a prefeitura de Itapecuru estava sob o comando de Bernardo Thiago de Matos, a quem coube o encargo de promover na ci­dade uma reforma urbanística.