Nome Social: Magno Martins
Nasci na cidade de Itapecuru-Mirim, quarto filho do senhor Francisco das Chagas Reis Martins e da senhora Clemencia Moreira Martins, irmão de: Benedito Moreira Martins, Francisco das Chagas Reis Martins Filho, Clece Maria Moreira Martins da Costa e Milton Roberto Moreira Martins, cursei da 1ª série primária até o 1º ano do 2º grau, hoje respectivamente (ensino fundamental e médio), no final do ano de 1981, no município de Itapecuru-Mirim, prestei seletivo para o 2º ano do 2º grau para a Escola Técnica Federal do Maranhão, atualmente IFMA, onde logrei êxito, vindo estudar o curso técnico em Eletromecânica, curso este que me possibilitou ingressar em 1985, na Companhia Vale do Rio Doce, onde trabalhei por cinco anos, até que m 1989 solicitei meu desligamento desta empresa, para começar uma nova experiência de vida em São Paulo, onde permaneci por dois anos. Em agosto de 1991 retornei ao Maranhão.
Em 1995 iniciei o curso de Pedagogia na Universidade Estadual do Maranhão – UEMA, através do Programa de Capacitação Docente – PROCAD. Entusiasmado pelo curso comecei a debruçar-me sobre a leitura de teóricos da educação, especialmente os ligados à construção de uma educação inclusiva e progressista.
Ainda enquanto estudante identifiquei-me com os movimentos sociais e suas práticas educativas, bem como pela temática da Educação Inclusiva. Essa foi uma das razões que ao concluir o curso e elaborar o trabalho monográfico decidi analisar as relações raciais na educação, com a monografia intitulada: “O educador e o preconceito racial em sala de aula”, em 1999. Ainda na graduação fui vice-coordenador do Diretório Acadêmico de Pedagogia e também secretário de finanças do Diretório Central dos Estudantes.
No decorrer do curso de Pedagogia, cresceu o interesse, em aprofundar as temáticas acerca da educação e tornar-me um profissional atuante nesta área já que até então havia trabalhado apenas em áreas técnicas. Sendo assim desenvolvi funções que iam da gestão escolar ao magistério dentro de sala de aula.
Foi dessa forma que em 1997 ingressei na Rede Municipal de Educação, na condição de externo comissionado, através de seletivo para gestores escolares, onde desenvolvi a função de Gestor Adjunto do ano de 1997 a 2009, nas Unidades de Educação Básica “Ministro Mário Andreazza”, “Alberto Pinheiro” e “Monsenhor Frederico Chaves”. Nesta última no ano de 2003, assumir a direção geral da escola. Em 2002, ingressei para o quadro efetivo do magistério, através de concurso de provimento de vagas para o magistério do ensino público municipal de São Luís.
No ano de 2008 tomei posse no cargo de Supervisor Escolar, na Secretaria de Estado da Educação – SEDUC, atuando mais especificamente na Superintendência de Modalidades e Diversidades Educacionais – SUPEMDE, onde inicialmente desenvolvi atividades profissionais na Supervisão de Educação Escolar Indígena – SUPEIND, permanecendo por três meses.
Porém devido a minha participação ativa, tanto no movimento negro, quanto no movimento LGBT, tornou-se mais interessante solicitar a minha remoção para a Coordenação de Promoção da Igualdade e Diversidades Educacionais – COPIDE, coordenação responsável para discutir, a partir do recorte educacional, as temáticas Etnicorracial, de Gênero e Orientação Sexual, esta última, dentro do recorte LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transgêneros).
Porém em 2009 – período de ascensão do governo Roseana Sarney depois da cassação de Jackson Lago pelo Supremo Tribunal Federal – a SEDUC passa por uma reformulação e a COPIDE deixa de fazer parte da estrutura da Secretaria surgindo em seu lugar duas Equipes Técnico-Pedagógicas: Educação das relações étnico-raciais e Educação em Direitos Humanos, Gênero e Orientação Sexual. Desde então tenho atuado nesta segunda equipe a qual, ainda hoje, desenvolvo trabalho profissional com ênfase na orientação sexual no recorte LGBT, fazendo a interlocução e interação entre a SEDUC e o Movimento LGBT.
Realizando as atividades profissionais na SEDUC tive a oportunidade de participar de vários cursos, formações, palestras, conferências, oficinas, encontros nas áreas da Educação e relações étnico-raciais, gênero e orientação sexual, como ouvinte e como formador. Dentre os quais podemos citar: Mediador da Conferência Maranhense de Educação – COMAE, no ano de 2009, no eixo VI, intitulado: Justiça Social, Educação e Trabalho – inclusão, diversidade e igualdade; Formação Continuada em Educação em Direitos Humanos, gênero e orientação sexual para profissionais da educação durantes os anos de 2008 a 2010 em várias Unidades Regionais de Educação; mesa redonda Faça do Maranhão um território Livre da Homofobia provida pela Secretaria de Estado de Direitos Humanos no ano de 2011; vídeo conferência Educação, sexismo e homofobia: um desafio necessário promovida pela SEDUC/UNIVIMA no ano de 2009.
Portanto, neste período de atuação na SEDUC, como observado, participei de diversos encontros formativos, tanto com o Movimento LGBT, como com o trabalho desenvolvido junto às Unidades Regionais de Educação do Estado. Essas experiências vivenciadas, acreditamos, são essências para prosseguirmos aprofundando o estudo sobre as Políticas Educacionais para a diversidade sexual especificamente na questão da Homossexualidade.
Isto porque, no nosso entendimento, cabe à escola e às Políticas Públicas Educacionais discutir, orientar e combater os diferentes preconceitos existentes na sociedade no que se refere à diversidade sexual, pois, como afirma Junqueira (2009) a escola é uma poderosa instituição de reprodução das lógicas homofóbicas, onde se consente e se ensina causando problemas sérios na identidade dos homossexuais. Sendo assim,
as identidades sexuais e as práticas das sexualidades não são nada naturais. Construídas através das relações sociais e políticas de um tempo histórico, são caracterizadas como processos históricos que não estão sob a égide da lógica da naturalidade, mas sim da moral e da política. (PRADO, 2008, p. 19)
Isto nos leva a uma reflexão profunda do papel da escola enquanto espaço de construção e socialização do conhecimento e diante disto percebemos a grande importância que tem adquirido a análise das relações existentes entre as Políticas Públicas Educacionais e a Homossexualidade, ganhando relevância e amplas discussões na atualidade, principalmente quando homossexuais e lésbicas passam a exigir seus espaços e direitos. Prado (2008), por exemplo, afirma que é no século XXI, que ocorre uma maior visibilidade sexual que fomenta um processo de desconstrução da visão da homossexualidade como anomalias sociais deixando de ser sujeitos patologizados, passando a ser sujeitos políticos.
Ressalto ainda que em 2005 terminei a pós-graduação/especialização Latu Sensu em Gestão Escolar na Unidade de Ensino Superior “Dom Bosco” e 2010 a especialização em Gestão Escolar: inspeção e supervisão, na Faculdade de Ensino Superior “Dom Bosco” do Estado do Paraná. Nestas especializações busquei tratar dos mesmos temas vinculados à Educação democrática e inclusiva. Foi por essa razão que os dois trabalhos monográficos têm os seguintes títulos, respectivamente: “A gestão democrática da educação: um desafio para o gestor frente ao preconceito racial na escola de primeira etapa à 4º série do ensino fundamental em São Luís” e “Gestão Participativa: um desafio da atualidade”.
Diante do exposto, é pela vivência nos movimentos sociais LGBT, nos trabalhos desenvolvidos junto à Secretaria de Estado da Educação e Equipe Técnico-Pedagógica em Educação e Direitos Humanos, Gênero e Orientação Sexual e por minha formação acadêmica que busco dar continuidade e aprofundar meus estudos na temática proposta, por meio do Programa Pós-Graduação Strictu Sensu em nível de Mestrado, por compreender o processo de investigação científica e qualificação profissional como fundamentais na produção e apropriação do conhecimento como, também, por uma qualificada intervenção social.
O interesse em aprofundar os estudos sobre a temática da Diversidade Sexual, mais precisamente as práticas educativas dos(as) professores(as) da Educação básica voltadas para a questão da Homossexualidade emerge, inicialmente, da nossa experiência profissional na Secretaria de Estado da Educação, atuando junto a Superintendência de Modalidades de Diversidades Educacionais – SUPEMDE.
Desse interesse fui aprovado em 2014 no Curso de Pós-Graduação a nível de mestrado onde pesquisei a seguinte temática: “EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE SEXUAL: a (in) visibilidade nos Planos de Ensino da Área de Ciências Humanas e suas Tecnologias no Ensino Médio Maranhense, ao qual concluir em 2016.
Além da minha inserção no movimento LGBTQIA+, sempre militei no movimento negro organizado, fazendo parte dos Agentes de Pastoral Negros – APN’s, e dessa inserção há a necessidade de analisar trajetórias educacionais de mulheres professoras maranhenses, com ênfase na prática e nos saberes pedagógicos de Marianna Luz, bem como suas contribuições para a História da educação maranhense, na primeira metade do século XX.
Pesquisar a trajetória de vida de professoras afrodescendentes no Maranhão é de certa forma, construir a história dos “excluídos da história”, visibilizando essas vozes, até então no anonimato, pois segundo Albuquerque (2012) incluir a mulher professora na historiografia da educação não se deu ao acaso, devendo ser compreendida considerando-se as inovações que aconteceram no âmbito da história e no desenvolvimento dos estudos feministas, principalmente a partir do século XX.
A partir da necessidade da inclusão dessas inovações, bem como de nossa participação no “Grupo de Estudos e Pesquisa sobre educação, Mulheres e Relação de Gênero (GEMGe) e Grupo de Estudo e Pesquisa sobre Gênero e Sexualidade nas Práticas Educativas (GESEPE), surgiu o interesse pelos estudos da trajetória de professoras Afrodescendentes na educação maranhense. Especialmente devido aos debates ali construídos, foi possível compreendermos o processo de invisibilidade da contribuição educacional das professoras, especialmente das afrodescendentes.
Os estudos e discussões nos referidos grupos inquietou-nos trazendo o desejo de realizar um estudo para darmos visibilidade e compreendermos a importância das contribuições da conterrânea Marianna Luz no cenário educacional de Itapecuru-Mirim. Daí a relevância dessa pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Educação, no Curso de Doutorado em Educação da Universidade Federal do Maranhão – UFMA.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALBUQUERQUE, Selma Romana. A mulher professora e o ensino primário do Estado do Maranhão na década de 1960. Dissertação (mestrado em educação). Programa de Pós-Graduação em educação da Universidade Federal do maranhão, 2012.
JUNQUEIRA, Rogério Diniz. Diversidade Sexual na Escola: Problematizações sobre Homofobia nas escolas. Brasília – DF: MEC/SECAD/UNESCO, 2009.
PRADO. Marco Aurélio Máximo. Preconceito contra homossexualidades: a hierarquia da invisibilidade. São Paulo: Cortez, 2008.