
João Batista Pereira dos Santos (para os amigos e familiares Godim, Titista ou apenas João Batista) nasceu no dia 24 de junho de 1963, em Pau Lumina, município de Itapecuru-Mirim – MA e faleceu em 02 de outubro de 1999. Era filho de Raimundo Gaudêncio dos Santos e Joana Pereiras dos Santos.
Fez o curso de 1º grau nas escolas Maria Gorete (antigo primeiro grau menor de 1ª a 4ª séries) e CEMA (antigo primeiro grau maior de 5ª a 8ª séries) em Itapecuru-Mirim, e o 2º grau no antigo Colégio Agrícola (Escola Agrotécnica Federal de São Luís – MA e atualmente IFMA São Luís Campus Maracanã), onde se destacou como aluno exemplar e orador oficial do grêmio estudantil nos momentos de solenidade escolar.
Foi membro fundador do Grupo Teatral Noroeste, criado por Inaldo Lisboa em 1982. Com esse grupo, trabalhou como ator nas seguintes peças:
Povo de Araça (de Inaldo Lisboa – 1982)
A preservação da Natureza (Texto de autor desconhecido – 1982)
Ainda em 1982, juntamente com Inaldo Lisboa, ajudou a transformar o Grupo Noroeste em Teatro Experimental Itapecuruense – TEIt, organização teatral que tinha como objetivo contribuir para o desenvolvimento cultural das manifestações artísticas da cidade.
No TEIt, João Batista trabalhou como ator, assistente de direção artística, dramaturgo, além de ter assumido vários cargos de direção executiva.
O seu trabalho foi notável nos seguintes espetáculos:
Teatrinho Xaxado (como ator e um dos autores da criação coletiva -1983)
Paixão de Cristo (como ator e adaptador – de 1984 a 1993, interpretando as personagens Judas e Pilatos, depois somente como Pilatos. Espetáculo de maior número de público e apresentações do grupo)
Caminho de Pedra Miúda (como ator e colaborador – 1988 e 1990, fazendo uma competente interpretação do professor João Silveira)
Além do exercício de ator, João Batista gostava de escrever. São de sua autoria os seguintes poemas:
Lavadeira (feito em homenagem a sua mãe, por quem ele tinha grande admiração)
Rio Itapecuru (obra dedicada ao rio em que ele banhara tantas vezes na sua infância).
O trabalho em teatro e a aplicação aos seus estudos lhe renderam a profissão de professor. Por várias vezes lecionou em Escolas de Itapecuru, dentre elas: Mariana Luz, Leonel Amorim e Newton Neves.
Paralelamente ao seu trabalho em teatro, ele foi um católico praticante desde a adolescência, quando fez a primeira comunhão e começou a frequentar a igreja sistematicamente. Gostava de fazer a leitura das missas celebradas pelo Padre Benedito (pároco de Itapecuru durante muitos anos), por quem tinha muito apreço.
Sua voz grave, suave, inconfundível e carregada de empolgação, abrilhantava o coro da igreja nos domingos e nos dias festivos da paroquia.
Também participou ativamente de vários movimentos da paróquia como integrante do Grupo de jovens JUSF (Jovens Unidos Semeando Fraternidade) e outras realizações da pastoral. Essa experiência fez com que ele influenciasse seu irmão Renato a seguir seus passos como orador.
Em 1992, casou-se com Jobenice de Souza Prado dos Santos. O casal teve dois filhos, João Alves Prado Neto e Sarah Prado dos Santos.
Outra grande paixão de João Batista era o futebol. Foi torcedor de carteirinha do clube de regatas Flamengo e durante muito tempo foi jogador, depois passou a se dedicar a função de árbitro em vários jogos amadores e campeonatos municipais e intermunicipais. Foi numa partida de futebol que aconteceu o acidente que lhe tirou a vida.
Trabalhava como escrivão no cartório do 3º ofício, acumulando também a função de escrivão eleitoral do cartório da 16ª zona eleitoral.
João Batista sempre foi um filho, um irmão e um amigo muito querido. Na cidade de Itapecuru seu nome é sinônimo de intelectual e pessoa querida do povo. A sua presença inspirava bom humor, fraternidade e, sobretudo, eloquência.
Certamente é assim que ele será lembrado. E assim se passaram trinta e seis anos.
Inaldo Lisboa, 06.10.99