Manfredo Viana

Cadeira 13

Manfredo Viana

Patrono da cadeira nº 13 da Academia Itapecuruense de Ciências, Letras e Artes (AICLA). Itapecuru-Mirim, MA. Brasil.

Filho de imigrante branco, Português com uma ex-escrava chamada Raimunda Póvoas Viana.

Nasceu em 25 de setembro de 1891. Apesar de ter nascido em São Luís/MA, Manfredo Viana passou sua primeira infância na Vila de Guimarães, localizada numa área que, em 1758, pertencia à fazenda Guarapiranga, doada à Coroa de Portugal por José Bruno de Barros, transformada em município pela Lei Nº 885, de 23 de fevereiro de 1920. Voltou para São Luís ainda menino (conta um seus netos).

Estudou em escolas públicas na capital. Seus pais o internaram em um Seminário para seguir formação religiosa, o qual lhe rendeu conhecimentos além da língua portuguesa, também aprendeu o inglês, francês, espanhol e latim, tornando-se um exímio poliglota. Dominava o Aramaico, uma língua semítica da Síria, que chegou a ser universal, mas que atualmente só é falada em algumas zonas dessa região. Aproveitou para aperfeiçoar sua oratória, mas sem vocação para ser padre, deixou o Seminário em 1910

Poeta, passou a frequentar com muita habilidade as agremiações literárias de São Luís que nesse período estava em alta

Em 1913, prestou concurso para carteiro de segunda classe, ao mesmo tempo em que lecionava como professor temporário em escolas particulares. Em 1914, Manfredo Viana entrou para Escola Literária Gonçalves Dias, tornando-se orador oficial dessa Instituição (Pacotilha, 18/10/1914)

É nesse cenário que acontece a união conjugal entre Manfredo Viana e Adalgisa Nogueira da Cruz, professora de família abastarda descendentes de escravos libertos. Ela itapecuruense oriunda do povoado Oiteiro dos Nogueiras, família tradicional dos Bento Nogueiras. Este fato aconteceu em janeiro de 1915.

Ainda no início do ano de 1915, o casal foi enviado pelo Governo do Estado como professores para a Escola Mista de Barreirinhas, na cidade de Barreirinhas, Ma. Terminado o contrato, mudou-se para o Município de Coroatá com um novo contrato.

Em 1918, por meio de Portaria, emitida pelo Governador da época, Antônio Brício de Araújo, Manfredo Viana é novamente transferido, desta vez, para Itapecuru Mirim para dirigir uma escola para homens. (O Jornal, 27/2/1918)

Manfredo Viana contribui com a importante Revista Maranhense como colaborador correspondente por meio da agência da revista Literária de Itapecuru Mirim, a qual ele é o dirigente. Revista que chegou a ocupar o terceiro lugar em distribuição, perdendo apenas para as agências do Anil e da cidade de Grajaú. (Pacotilha, 11/5/1920)

Por determinação do Governo, retorna a Barreirinhas em 1921, dessa vez por um período bem menor. Volta a Itapecuru Mirim dessa vez, à disposição do governo municipal trabalhando juntamente com a professora Zulmira Fonseca. Em 1926, Manfredo volta à cidade de Guimarães, dessa vez com professor, transferido pelo governo do estado para a localidade chamada Cedral. Lá fica por seis anos.

Pelo Diário Oficial de 3 de agosto de 1933, Manfredo Viana retorna a Itapecuru Mirim nesse ano. Nesse período contribui com o Jornal Correio do Nordeste, de propriedade do itapecuruense Zuzu Nahuz, como colaborador.

Em Itapecuru Mirim foi nomeado como Funcionário Público Municipal, com a Formação profissional de Professor de Matemática, Português, Geografia, lecionando por 31 anos, passando pelos povoados de Outeiro dos Nogueiras, Cantanhede (cidade desde de 24/09/1952) e Areias (hoje povoado do município de Santa Rita).

Teve importante contribuição quando do SURGIMENTO DO ENSINO em Itapecuru-Mirim.

O ensino surgiu no município, entre o final século XIX ao início do século XX, por meio de escolas particulares, pelos professores Severo Castelo Branco, Thiago Ribeiro, Mariana Luz, Manfredo Viana, Almerinda Araújo, Zumira Fonseca, Professor Newton Neves, João Rodrigues.

Manfredo Viana fundou a Escola Santo Expedito, dirigida por sua esposa Adalgisa Nogueira Viana, que segundo Buzar, em seu livro “No Tempo de Abdala era assim”, relatou: “é a melhor escola de alfabetização em matéria de ensino da época, seguida pelo Instituto Rio Branco (escola de ensino primário), sob a direção do renomado Professor Newton Nogueira Neves”.

Por ser Cronista de jornal, por volta de 1960, entre 07 de maio de 10 de junho deu uma entrevista para o Correio do Nordeste (SIOGE, Ma), e colaborou com políticos do município escrevendo Discursos e orientando-os em suas oratórias.

Manfredo Viana foi aposentado em 1950, pela Lei nº 72 de 11/10/1950.

Manfredo Viana indiscutivelmente foi um importante professor: enérgico, respeitado e admirado por sua genialidade e intelectualidade, pois criava inúmeras álgebras e outros sistemas matemáticos que nunca chegou ao conhecimento público. Era muito respeitado também pela forma de como ensinava e disciplinava seus alunos, tendo reconhecimento notório no cenário educacional do Estado do Maranhão e do município de Itapecuru Mirim.

Da união entre Manfredo Viana e Adalgisa Nogueira da Cruz nasceram sete filhos: Conceição de Maria (Concita), Robispierre, Expedito, Maria José (Zezé), Ribamar, Aurino e Donatila, e residiram na AV Brasil, hoje propriedade, residência e loja de Dona Zezé e atualmente funciona um ponto chamado Mister Sheik.

Manfredo Viana Faleceu em 29 de março de 1969 – (AOS 78 ANOS DE IDADE) em Itapecuru Mirim.

Manfredo Viana, o homem.

Era um homem muito ligado a família, e emotivo que costumava exagerar nos seus cuidados e às vezes sufocava as pessoas que amava. Tanto no seio familiar como nas amizades, quando, se magoado, procurava se recolher para dentro de si mesmo. Mas era um homem bastante sensato e tinha bom senso. Apesar das conveniências não gostava de solidão, e nem de ser preso a um único ideal. Respeitava sua família e seus amigos. Tinha muita energia e por isso estava sempre ocupado com alguma coisa. Vivenciou o Protestantismo, Espiritismo, foi Marçon, Católico e devoto de Santo Expedito (Santo Expedito, segundo a tradição, era armênico, não se conhecendo o local de seu nascimento, mas parece provável que tenha sido em Metilene, localidade onde sofreu o martírio. 19 de abril é o dia do Santo Expedito).

Chegou a fazer vários vestibulares da época, chegou a iniciar o curso de Farmácia, mas não se formou em nenhum.

Manfredo Viana. Um homem disciplinado, prático, leal, confiável, gostava do seu trabalho de ser professor. Era muito eficiente.

“Confiança e lealdade são o que se pode esperar da pessoa cuja personalidade não admite superficialidade e covardia. Muito produtivo e eficiente, faz de sua bandeira a prudência e a disciplina. Com os pés no chão, não se deixava levar por nada que se mostrasse leviano ou propostas sedutoras demais. Pontual e responsável com seus compromissos, demonstrava sempre uma grande estabilidade, fator que o fazia respeitável por aqueles que o conheciam”.

Não deixava nada por acabar, por isso muitas vezes era considerado uma pessoa conservadora. Mas, sua sobriedade não o permitia ser extravagante, preferindo sempre um estilo mais clássico até no se vestir.

Emblemático. Driblou preconceitos. Possuía uma lucidez incomum, especialmente no que se referia julgar o mundo e as pessoas. Homem de poucas palavras, sempre procurava falas certas e no momento oportuno. O problema é que às vezes se desligava das coisas materiais, parecia não viver com os pés no chão, e desligava sua atenção com uma rapidez incrível. Às vezes isso dava a impressão de não estar nem aí para o que acontecia à sua volta, o que não era verdade.

Liberdade era uma coisa muito importante para Manfredo Viana e, por esta razão preferia resolver sozinho seus problemas, sem pedir ajuda ou conselhos a quem quer que fosse. Não gostava nem de dar, nem de receber ordens.

Misticismo.

Origem do nome Manfredo:

TEUTÔNICO – Pertencente ao povo Germânico procedente da região do Elba (que junto com os cimbros, invadiu a Gália por volta de120 a.C. no mesmo período foi derrotado pelo exercito romano nas proximidades doAquae Sextiae), Alemão. (Enciclopédia Barsa Universal)

O significado do nome Manfredo: “AQUELE QUE DESEJA A PAZ”.

Origem do nome Viana: LATIM

Significado de Viana: VARIANTE ORTOGRÁFICA DE DIANA.

Uma curiosidade:

Com essa língua “o aramaico”, costumava escrever cartas para sua esposa que era também professora e dava aulas no Leite, município de Itapecuru-Mirim.

Contam seus familiares que uma vez Manfredo pediu que Abdala Buzar, ainda rapazote, que entregasse uma de suas cartas para sua esposa Adalgisa, que trabalhava no Leite, município de Itapecuru. Como ele conhecia a curiosidade do mesmo, escreveu em aramaico. Abdala então antes de entregar a tal carta, tentou ler o conteúdo. Mas para sua surpresa, não entendeu nada. Ao encontrar Manfredo, retrucou: Que língua é essa com tu escreve em tuas cartas?

Manfredo sorriu e lhe respondeu: Sabia que tu ias procurar ler. Por isso usei essa estratégia. Assim não sabes do que trato com minha amada.

E, os dois caíram na gargalhada.

Escrita por Assenção Pessoa. Membro da Academia Itapecuruense de Ciência, Letras e Artes – AICLA, ocupante da cadeira de nº 13.

REFERÊNCIA:

SANTANA, Jucey Santana. Itapecuruenses Notáveis, 2016.
http://lagusa-ita-ma.blogspot.com

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