Por Astor Cruz Serra
Via-te sempre no meu quarto voando,
Como a fugir das fúrias hibernais,
Jamais saber buscara, sim jamais,
Se era o destino teu nobre ou nefando.
Contra ti revoltavam os meus pais,
Eu era criança. E assim tudo ignorando,
Como podia compreender, e quando,
A causa mater, de repulsas tais?
Hoje, porém, morcego desgraçado!
Após de muito haver em ti pensado
É que esta ideia sobre ti me veio:
Em teu voejar inquieto e impaciente,
Encarnas o papel de muita gente
Que vive de sugar o sangue alheio.