Antônio Olívio Rodrigues

Cadeira 19

Antônio Olívio Rodrigues

Dediquei-me nos últimos dias a pesquisar e escrever sobre um notável intelectual itapecuruense. Refiro-me a Antônio Olívio Brenha Rodrigues, patrono da Cadeira nº 19 desta frutuosa Academia de Ciências, Letras e Artes.

Para a minha sorte, encontrei um caminho bem trilhado por Jucey Santana, que já havia feito uma aprofundada pesquisa biográfica a respeito desse precoce e talentoso itapecuruense. Tendo publicado essa referida pesquisa em seu blog, em 12 de novembro de 2015 e posteriormente no seu significativo livro “Itapecuruenses Notáveis”, em 2016.

Antônio Olívio Brenha Rodrigues, assim como este que aqui vos fala, nasceu em Cantanhede, na época distrito de Itapecuru Mirim, no dia 2 de julho de 1935. Filho de Alice Brenha Rodrigues e do professor, advogado, político e jornalista João da Silva Rodrigues.

Igualmente como seu pai, Antônio Olívio dedicou-se ao magistério desde muito jovem. Tendo lecionado em diversas escolas de Itapecuru Mirim. Sendo bastante relevante na produção e socialização de conhecimentos, especialmente literatura, na qual a poesia era a sua expressão predileta.

Tido por seus contemporâneos como uma singularidade intelectual, também demonstrou competência no campo político/administrativo contribuindo com seu pai na gestão municipal da cidade de Itapecuru Mirim.

Conforme os registros e relatos que obtivemos, Antônio Olívio era poliglota. Estudou e aprendeu 7 idiomas, dentre os quais o francês, o inglês, o espanhol, o alemão e o russo. Aprendia por meio de cursos via rádio e também por correspondência. A forma principal utilizada para aprimorar o seu domínio em línguas estrangeiras era ouvindo rádios desses países. Uma das suas rádios prediletas era a BBC de Londres. O seu sonho era tornar-se diplomata.

Dotado de grande inteligência, foi aprovado no vestibular em São Luís. Porém, alguns obstáculos, principalmente de ordem financeira o impediram de cursar a faculdade. Isso não o impediu de demonstrar o seu conhecimento, dedicando-se a difundir as letras como professor e como jornalista no jornal Trabalhista, fundado por seu pai em 1946, onde trabalhava como redator.

Foi sócio fundador, diretor e orador oficial do Náutico Esporte Clube de Itapecuru Mirim, fundado em 1953. Também nesse mesmo período, trabalhou como correspondente dos Diários Associados em Itapecuru Mirim.

Exerceu o cargo de Diretor Regional do Departamento de Estradas e Rodagens (DER) em Itapecuru Mirim (Residente), de 1958 a 1960. Posteriormente foi transferido para a cidade de Codó, desempenhando a direção desse referido Departamento até 1962 e exercendo conjuntamente o oficio de professor de inglês no Ginásio Codoense.

Figura muito querida e admirada por todos os que lhe conheciam, Antônio Olívio era alegre e festeiro, adorava serestas. Era muito simples, gostava de andar de bicicleta. Era comum vê-lo na recém-inaugurada Praça Gomes de Souza. Um dos seus prazeres preferidos era pescar com os amigos.

Em 1963 foi aprovado em concurso para o Banco do Brasil. Durante as comemorações com familiares e amigos em Itapecuru Mirim, infelizmente agravou-se uma enfermidade pré-existente que o levou a falecer precocemente, em 30 de agosto de 1963, no Hospital Português em São Luís, com apenas 28 anos, vítima de Hepatite. Foi uma perda irreparável para o Maranhão e até mesmo o Brasil, pois muito ainda tinha a crescer e contribuir em diversas áreas do conhecimento.

Ouso dizer que, se Antônio Olívio Rodrigues tivesse vivido no século XIX, hoje ele seria exaltado como os seus pares daquela época, e seu nome constaria no Pantheon da Atenas Brasileira.

Em Itapecuru Mirim foi homenageado por seu pai, quando este exerceu o seu segundo mandato de prefeito (1966-1970), dando nome a uma escola (extinta) e a uma rua, conforme me foi relatado por Carlos Alberto Serra Rodrigues (Bebeto), irmão de Antônio Olívio. Coincidentemente ambas se justapunham no mesmo ponto. A rua começa onde existiu a escola.

A Rua Professor Antonio Olívio Rodrigues ocupa o último trecho urbano da BR 222, em Itapecuru Mirim, na saída da cidade em direção à Vargem Grande. Passando pelos bairros Piçarra, Rodoviária e DER.

A respeito da Escola Professor Antonio Olívio Rodrigues, peço licença para agregar informações extraídas de reminiscências e memórias terceiras. Esta escola nos tempos da minha infância era carinhosamente chamada de Coleginho Azul e ficava no Bairro Piçarra, onde atualmente existe um supermercado. Era um prédio pequeno em formato de caixote, todo em azul intenso e com platibanda alta escondendo o telhado.

Era impossível alguém passar pela Escola Professor Antônio Olívio Rodrigues sem olhar para ela devido a três motivos principais: a cor, a forma e a localização, que era afastada algumas dezenas de metros do acostamento da BR, sem muro e totalmente isolada das casas vizinhas.

Em determinado ano da década de 1980, o então prefeito de Itapecuru Mirim mandou distribuir brinquedos no período natalino para as crianças pobres dos bairros daquela parte da cidade. Ansioso por aposentar o meu carrinho feito com lata de sardinha, me dirigi ansioso para a Escola Professor Antônio Olívio Rodrigues em busca de um carrinho de plástico, quem sabe na cor azul, igual à do Coleginho. Mas a quantidade de crianças era tão grande que me vi sufocado no interior daquela acanhada escola. Sabe lá Deus se não foi o próprio espirito de Antônio Olívio que me retirou daquele sufoco. Saí sem carrinho, mas vivo.

Meu irmão Antonio José teve a oportunidade de estudar no Coleginho Azul, era ensino noturno. Como ele não era muito apegado a estudos, costumava gazear aulas. Certa vez, minha mãe e minha irmã Rosa, ao passarem por lá, encontraram meu irmão sentado no acostamento da BR gazeando aula.

Após o fechamento da escola, o prédio chegou a ser utilizado pela polícia. Depois foi totalmente abandonado e demolido. Mas o intelectual que lhe emprestava o nome viverá para sempre na memória de alguns, na rua que recebe o seu nome, nos escritos de Jucey Santana, e na AICLA, que merecidamente escolheu Antônio Olívio Rodrigues como patrono da Cadeira 19, a qual humildemente assumo e pretendo honrar.

 

Muito obrigado!

20 de outubro de 2021

Ducentésimo terceiro ano da fundação da Vila de Itapecuru Mirim.

João Carlos Pimentel Cantanhede