Entre as efemérides que marcarão as comemorações dos 200 anos de emancipação política de Itapecuru-Mirim, destaca-se a celebração dos 190 anos de nascimento de um dos seus mais ilustres filhos, o imortal Antonio Henriques Leal, que nasceu no povoado Cacimbas, hoje pertencente ao município de Cantanhede, no dia 24 de julho de 1828 e faleceu no Rio de Janeiro em 29 de setembro de 1885, com 57 anos de idade.
Henriques Leal foi cognominado o Plutarco de Cantanhede, numa alusão ao filósofo, pensador, mestre do civismo e biógrafo grego que estudou na célebre Academia de Atenas, fundada por Platão, e que, mercê de seu trabalho, ocupou altos cargos públicos.
Estudou em São Luís e, posteriormente, formou-se em Medicina no Rio de Janeiro. Escritor consagrado, enveredou-se na política, tendo sido Vereador e presidente da Câmara Municipal de São Luís na legislatura de 1865 a 1866 e. na legislatura de 1866 a 1867, foi eleito para a Assembléia Provincial. Pertenceu ao Instituto Literário Maranhense, ao Gabinete Português de Leitura, ao Ateneu Maranhense e à Associação Tipográfica Maranhense. No Rio de Janeiro tornou-se sócio correspondente do Instituto Histórico e Geoghráfico Nacional e professor do Colégio Pedro II. Em Portugal, pertenceu à Sociedade Médica de Lisboa.
Sua atividade jornalística iniciou-se em 1847, como colaborador e depois redator do jornal “O Progresso”. Depois, com Alexandrino de Carvalho Reis e Antônio Rego, fundou “A Imprensa”, tendo sido redator do “Publicador Maranhense” e assíduo colaborador no jornal “A Conciliação”. Entre os jornais literários, colaborou com “O Arquivo”, “Jornal de Instrução e Recreio”, “Semanário Maranhense” e “Revista Universal Maranhense”.
Ao abandonara militância política, dedicou-se à literatura, tendo sido muito reverenciado como biógrafo, além de destacar-se como historiógrafo. Organizou as Obras de João Francisco Lisboa em 1864 e as Obras Póstumas de Gonçalves Dias em 1873. Sua apresentação nas obras de Gonçalves Dias, de quem era amigo pessoal, é um verdadeiro poema que merece ser lido e divulgado,
No campo da historiografia, escreveu “A Província do Maranhão” em 1862, “Apontamentos para a História dos Jesuítas no Brasil”, (2 tomos), em 1874, “Apontamentos Estatísticos da Província do Maranhão”, em 1847” História da Província do Maranhão” e “Calendário Agrícola”. Além da “Biografia de Antonio Marques Rodrigues” em 1875 e de “Lucubrações” em 1875, merece destaque a sua obra em 4 volumes “Pantheon Maranhense, entre 1873 e 1875.
Como podemos comprovar diante de tão rica e diversificada atividade cultural, Antonio Henriques Leal foi uma das luzes mais esplendorosas da Literatura Brasileira durante o Século XIX e uma das personalidades que mais enalteceram Itapecuru-Mirim. Ter esta Academia dedicado a cadeiras nº 27 para por ele ser patroneada é uma homenagem de inteira justiça e reconhecimento.
A meninice de Henriques Leal, mesmo vivida longe da sede do nosso município, no povoado Cacimbas do hoje município de Cantanhede, foi decerto marcada pelos fatos da Balaiada que a historiografia oficial, escravagista, procurava pintar com cenas de horrores, cognominando de bandidos e facínoras aqueles que lutavam e morriam pela liberdade.